D. Pedro IV

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segunda-feira, novembro 07, 2005

Coisas normais


Na sua origem, o poder de ban representa o poder de comando dos chefes militares: é o caso das sociedades germânicas na época das invasões. Ao longo da época medieval, mais precisamente a partir da primeira metade do século XI, o direito de ban aparece ligado aos direitos senhoriais, isto é, àquilo que os senhores feudais da nobreza e do clero exigiam dos camponeses que viviam e trabalhavam nas suas terras. Um dos encargos exigidos era o das banalidades, que consistiam na obrigatoriedade de o camponês usar o forno, o moinho, o lagar e o celeiro do senhor, pagando determinadas importâncias em dinheiro ou em géneros.
O nome banalidade vulgarizou-se a partir deste pagamento regular, feito pelos camponeses aos seus senhores.

Bibliografia:
BONASSIE, Pierre, Dicionário de História Medieval, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1985.
DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 7, Lisboa, Editorial O Livro, 1991.

Maria, a Sanguinária


Maria Tudor nasceu a 18 de Fevereiro de 1516, filha do rei Henrique VIII de Inglaterra e da sua primeira mulher, D. Catarina de Aragão. Subiu ao trono em 1553, depois da morte de seu irmão, Eduardo VI. Em 1554 casou com Filipe, filho do imperador Carlos V, que seria mais tarde Filipe II de Espanha e I de Portugal. O reinado de Maria Tudor ficou marcado por perseguições aos adeptos do anglicanismo, religião fundada por seu pai; essas perseguições terão sido de tal forma violentas que lhe valeram o cognome de Bloody Mary - Maria, a Sanguinária. Maria morreu em 1558 e sucedeu-lhe sua irmã Isabel - Isabel I, a Rainha Virgem.
Nos nossos dias, o nome Bloody Mary está associado a uma bebida alcoólica, um cocktail feito com vodka, molho de tabasco, sumo de tomate, sumo de limão, pimenta e molho Worcestershire.

domingo, novembro 06, 2005

A viagem das palavras




Os portugueses chegaram ao Japão em 1543. Dos contactos luso nipónicos resultaram muitas trocas, e uma das mais importantes foi a linguística, pois quer no japonês quer no português encontram-se, ainda hoje, muitas palavras de origem recíproca. Aqui fica uma breve lista.

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM JAPONESA

Banzé (de banzai, grito militar); biombo (de byôbu); cana (de kana, escrita japonesa);catana(katana); chá (de tchá); chávena (de tchawan); chungaria (de chunga, livro malicioso que as noivas levavam no enxoval); nipónico (de Nippon, Japão em japonês); sacana (de sakana, peixe).

PALAVRAS JAPONESAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Amanderu (de amêndoa); barusamo (de balsâmo); bauchizumu (de baptismo); beranda (de varanda); birado (de veludo); bisoroito (de biscoito); botan (de botão); chuchin (de cetim); esukudo (de escudo); irman (de irmão); jabo (de diabo); kahii (de café); kapitan (de capitão).

CARVALHO, Sérgio Luís de, A Ilha do Ouro, Lisboa, Texto Editora, 1993

Tripeiros

Conta-se que na altura da conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, O Infante D. Henrique mandou preparar 27 navios na cidade do Porto. Era uma aventura que requeria muita coragem, mas também muitos homens e mantimentos. A população da cidade colaborou activamente oferecendo toda a carne de podia dispor... Restaram as tripas dos animais... Restou uma alcunha... e uma receita à moda do Porto!
Bibliografia:
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº2, O Infante D. Henrique

Traquitana - Sege

A sege era uma "carruagem ligeira", puxada por cavalos, com dois lugares e entrada pelo lado ou pela frente. Nas ruas estreitas de Lisboa parecia ser o meio de transporte mais bem adaptado...
Chamavam-lhe traquitana e o seu aspecto frágil levava a pensar que se ia desfazer quando circulava nas ruas pouco regulares da cidade. O nome "traquitana" perdurou no tempo e chegou até nós para apelidar qualquer coisa de fraca qualidade, com fortes probabilidades de se avariar ou desconjuntar... "Aquela traquitana..."

Lados opostos


O uso das designações de direita e esquerda para caracterizar as diferenças ideológicas dos partidos políticos, iniciou-se durante a Revolução Francesa. Na Assembleia Nacional Constituinte os lugares dos aristocratas, defensores da monarquia absoluta, ficavam à direita do presidente da Assembleia, enquanto que os patriotas, defensores da monarquia constitucional, se sentavam à sua esquerda. Por isso, em seguida, e até à actualidade, passou a dizer-se que pertencem à direita os partidários das posições mais conservadoras e à esquerda os defensores de transformações políticas e sociais.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 8, Lisboa, Editorial o Livro, 1995

Pôr e levantar a mesa

No século XIII, nas casas senhoriais, a mesa era desmontável, composta de uma tábua assente em cavaletes, que se punha e tirava quando necessário. Daí a expressão, ainda hoje usada, de "pôr e levantar a mesa".

sábado, novembro 05, 2005

A volta ao Mundo e a marmelada



Ao longo da viagem de circum-navegação, enquanto os marinheiros sofriam e morriam à sua volta devido ao escorbuto, Fernão de Magalhães e vários outros oficiais mantinham-se misteriosamente saudáveis. Ninguém sabia porquê, mas havia uma razão relevante para terem escapado à terrível doença. Durante toda aquela provação, os oficiais serviam-se regularmente de um fornecimento de compota de marmelo que o capitão português fizera embarcar. O marmelo, um fruto do género da maçã, era na realidade um potente antiescorbuto, graças à sua quantidade de vitamina C.
BERGREEN, Laurence, Fernão de Magalhães - Para além do fim do mundo, Lisboa, Bertrand Editora, 2005

sexta-feira, novembro 04, 2005

Os Carros do "Chora"

"Estes carros grandes e desajeitados [omnibus] começaram a fazer carreiras de passageiros depois que se constituiu a Companhia de Carruagens Omnibus em 1835, poucos anos depois das grandes cidades europeias.
Os carros tinham uma porta traseira e no interior um banco corrido de cada lado, com os quinze passageiros voltados uns para os outros. Eram puxados por quatro cavalos e tranportavam, além dos passageiros, correio e encomendas.
(...)
Mas os mais célebres e que duraram mais tempo foram os carros do "chora", os "choras" que se bateram até com os eléctricos e não se deixaram absorver pela Companhia Carris.
A empresa era de um homem chamado Eduardo Jorge, conhecido pelo "Chora" porque nas reuniões com colegas estava sempre a "chorar" [lamentar-se] pela falta de lucros.
Com as dificuldades da guerra, dos impostos e a concorrência dos "eléctricos em 1917 os populares "chora" pararam.
Mas Eduardo Jorge, em 1929, fundou outra empresa de viação com autocarros de passageiros. Muitos lisboetas lembram-se ainda dos autocarros amarelos "Eduado Jorge" com o dístico: Lisboa, Carnaxide, Amadora Queluz, Cruz Quebrada..."
Raposo, José Hipólito, Breve Apontamento da Evolução dos Transportes de Lisboa, in Lisboa em Movimento 1850-1920, Lisboa, Livros Horizonte, 1994

terça-feira, novembro 01, 2005

O Castelo da Mina



"Na costa da Mina fazia-se um comércio muito vantajoso para Portugal porque os habitantes da região tinham ouro e trocavam-no de boa vontade por produtos que aos portugueses saíam baratos como por exemplo bacias de metal, panos coloridos, pulseiras de cobre, etc.
Querendo evitar assaltos aos comerciante e navegadores, D. João II decidiu mandar construir um castelo na Mina.
E como lhe pareceu que para evitar problemas tudo devia ser feito o mais depressa possível, pôs em prática uma ideia realmente moderna: enviar portas, janelas, paredes de pedra e torres já talhadas e prontas, tudo muito bem numerado para quando chegassem ao local poderem montar as peças. Chamar-lhe-íamos hoje um 'castelo pré-fabricado'. "
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº 3, D.João II

segunda-feira, outubro 31, 2005

Medalhões em... carne humana!

Em 1712, o túmulo de S.Vicente de Paula foi aberto e o corpo estava incorrupto...Três frades cirurgiões mergulharam-no em água fervente para dele se desprenderem o que restava das carnes. Juntaram pó de ossos e óleo canónico, obtendo uma pasta com a qual confeccionaram medalhões com o rosto de S.Vicente,em relevo, ainda hoje expostos ( Igreja de Saint Lazare, onde o corpo tinha sido depositado em 1660)...
O que restou do corpo foi sucessivamente amputado. Faltam ao Santo: costelas, a mão esquerda, duas rótulas..., distribuídas pelos mais altos dignitários da cristandade, tornando-se assim objectos de devoção e poder.
In Jornal Expresso, 22 de Janeiro de 2oo5

sábado, outubro 29, 2005

Ir para o Maneta

Diz-se muitas vezes que uma coisa se estragou definitivamente, utilizando a expressão: "Foi para o Maneta"
Porquê?
Ir para o maneta significa não voltar, estragar-se em definitivo, sem remédio, sem conserto...
Isto porque o "Maneta" era um general francês, chamado Loison, da época das invasões francesas, que não tinha um braço, nem misericórdia.
Era uma espécie de polícia mau dos invasores e quem ia ao maneta dificilmente de lá saía. Ia para o Maneta de vez. Daí ter ficado na memória a expressão "ir para o maneta"...
O patife do junot
Vinha para nos proteger!
Veio mas foi para nos roubar
E p'ras as pratas recolher.
Loison / O Maneta
O Junot mais o Maneta
Dizem que Portugal é seu
É o diabo para ele
E mais para quem lho deu.

Sem ser apenas Maria


D. Maria II, rainha de Portugal (1834-1853) tinha, como muitos membros da nobreza e da família real, um nome muito comprido: Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isadora Micaela Rafaela Gonzaga.

Andar a Nove


A minha mãezinha (esta não é a do Marcelino, é a minha) dizia muitas vezes que andava a nove, coisa que nunca percebi, a não ser por um “fetiche” (a palavra é, provavelmente, de origem portuguesa, com o significado de feitiço) especial pelo número - então e o quatro? O dois não serviria? Aparentemente não!
“Andar a nove” tem a ver com a velocidade dos primeiros eléctricos que circularam em Lisboa!
A velocidade dos eléctricos era controlada por um acelerador com nove (9) níveis de velocidade. Quando um eléctrico estava a andar a alta velocidade era porque o condutor estava a usar o nível nove. Surgiu, assim, a expressão popular “andar a nove”, querendo dizer “trabalhar com rapidez, fazer as coisas com grande velocidade, à pressa, não ter tempo para nada”.
Já agora, aproveitando a folha, fica aqui o seguinte aviso: “Quem conversa com o Guarda-Freio é moralmente responsável pelos acidentes causados por distracção!”