D. Pedro IV

D. Pedro IV

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terça-feira, março 27, 2012

Gil Eanes


"Depois de ter fracassado uma primeira vez, em 1433, Gil Eanes foi exortado pelo Infante a tentar novamente a passagem do cabo Bojador, o que veio a conseguir em 1434. Voltando o navegador à presença do Infante deu-lhe conta do que vira, “e acabado assim o recontamento de sua viagem, fez o Infante armar um barinel, no qual madou Afonso Gonçalves Baldaia – que era seu copeiro - , e, assim, Gil Eanes com sua barca” (Gomes Eanes de Zurara, Crónica dos Feitos da Guiné, cap. IX). O cronista João de Barros foi mais explícito quanto às razões que ditaram o aparecimento do barinel nas viagens de exploração: "O Anno seguinte de trinta e quatro, como o Infante estava informado por Gilianes da maneira da terra, e da navegação ser menos perigosa do que se dizia, mandou armar hum barinel, que foi o maior navio, que té então tinha enviado, por já estar fóra de suspeita, que se tinha dos baixios, e parcel, que diziam haver além do Cabo [Bojador]. A capitania do qual deu a Afonso Gonçalves Baldaya seu Copeiro, e em sua companhia foi Gilianes em sua barca" (João de Barros, Ásia, Década I, Livro I, cap. V)"(Escrito por: Francisco Contente Domingues).

Barinel


Não existem elementos concretos acerca do Barinel.

Julga-se ser de maior tonelagem do que a barca, e para conciliar um pouco as variadas opiniões dos historiadores, talvez de proa alterosa e recurvada semelhante à das meias luas ovarinas, a popa de painel, o leme de grande porte, a ré talvez um tendal para servir de abrigo, e arvorando dois mastros com uma vela redonda de arrear e, podendo armar remos para poder navegar em tempo bonançoso.

O barinel era um pouco maior que a barca e podia ter uma tripulação de 30 homens. Havia barinéis com um, dois e até três mastros. Tal como a barca, estava equipado com cesto de gávea, onde um marinheiro de visão aguda procurava, do alto, vestígios de terra firme no horizonte. A parte dianteira do navio era mais elevada - o castelo de proa. Estas características foram desenvolvidas e incorporadas na caravela, que substituiu a barca e o barinel nas viagens de exploração da costa africana a partir da década de 40 do século XV.

quinta-feira, março 22, 2012

Barca



A palavra barca é geralmente empregue como designação de embarcação de pequena tonelagem.

A barca julga-se ser originária das nações do norte.

Seriam embarcações de pequeno porte, talvez de 20 a 25 tonéis, em geral de boca aberta, ou de uma só coberta quando se construíam para viagens largas. A ré e a proa eram aguçadas e arvoravam em geral um só mastro de muita guinda com uma enorme vela de pendão.

Foi numa destas pequenas embarcações que, em 1434, se realizou um dos feitos mais importantes para a história dos descobrimentos portugueses - Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador.

quarta-feira, março 21, 2012

Concurso "Contadores de Histórias"

Vencedores do Concurso

João Ferreira do 6.º D - com a peça "Gil Vicente";
Leonor Marques do 6.º A - com a peça "D. Maria II";
Cláudia Carvalho do 6.º C - com a peça "A varina".

Parabéns aos vencedores!

quinta-feira, março 15, 2012

Vencedor da Figura do Mês

O vencedor da Figura do Mês foi:
Rúben Santos,n.º25 do 6º L.

Parabéns Ruben!

terça-feira, março 06, 2012

Vencedores do concurso "Contador de Histórias"

Alunos da Manhã
João Ferreira - 6º D;
Leonor Marques - 6º A;
Claudia Carvalho - 6º C;
José Eduardo - 5º F.

Alunos Tarde
António Pegado- 6º L;
Marta Ferreira -5º H;
Ricardo Silva - 5º J.

Parabéns!

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

O melhor anúncio


Este período pedi aos alunos do 6ºH e 6ºF para elaborarem um anúncio a um Museu relacionado com a revolução industrial, finais do século XIX. Foi a Maria Carolina do 6ºH que ganhou. Parabéns Carolina!!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Lenda do Templo da Lua


Antigamente, a Serra de Sintra era conhecida pelo nome de Promontório Magno, ou da Lua, e é fora de dúvida que no tempo da dominação romana os povos, que habitavam nesta serra, edificaram ali um templo, que primeiramente quiseram dedicar ao imperador Octaviano Augusto II, e que por este não consentir, o consagraram à Lua; como chamassem a este planeta Cinthia pois, se derivou com pouca corrupção o nome de Sintra. Estas memórias históricas acham-se confirmadas por vários cipos e outras pedras com inscrições, que se descobriram na mesma serra, e que se podem ver nas obras dos antiquários.

Lenda de Seteais


Conta a lenda que quando Sintra ainda pertencia aos mouros, um dos primeiros cavaleiros cristãos a subir a serra de Xentra (como os mouros chamavam a Sintra) foi D. Mendo de Paiva. No meio da confusão da debandada de uns e chegada de outros, encontrou-se junto a uma pequena porta secreta por onde fugiram vários mouros da fortaleza. Entre eles viu uma moura muito bonita, acompanhada pela velha aia.
Ao dar com os olhos no cristão, a moura suspirou por se sentir descoberta, e a velha, que ainda não reparara no cavaleiro, apressou-se a pedir-lhe que não suspirasse. Porém, reparando no olhar da ama, fixo num ponto determinado, seguiu-o e viu finalmente o inimigo, que sorridente lhe disse:

- Acaba o que ias dizendo!

Mas a velha, de sobrolho carregado, respondeu-lhe:

- O que tenho para dizer não serve para ouvires, cáfir! Os cristãos já têm tudo quanto queriam:os nossos bens, as nossas terras, o castelo. Vai-te! Vai-te e deixa-nos em paz, conforme o combinado.

- Vai-te tu, velha! A rapariga é minha prisioneira!

A moura, ao ouvir tal coisa, suspirou novamente, de medo e comoção. A velha, ao ouvir aquele novo ai, achou que era melhor confessar o seu segredo ao cristão:

- Não digas mais nada, cristão! Não digas mais nada, que a minha ama carrega desde o berço uma terrível maldição!...

- Como assim velha?!- perguntou o cavaleiro, ao mesmo tempo que a moura dava o terceiro suspiro.

- Ah, cavaleiro! À nascença a minha ama foi amaldiçoada por uma feiticeira que odiava a sua mãe por lhe ter roubado o homem que amava. Fadou-a a morrer no dia em que desse sete ais... e como vês, já deu três!

D. Mendo deu uma alegre gargalhada e a jovem outro ai.

- Não acredito nessas coisas, velha! Olha, a partir de agora ambas ficarão à minha guarda. Eu quero para mim a tua bela ama!

A moura suspirou de novo e a velha, numa aflição sem limites, gritou:

- Ouviste, cavaleiro, ouviste?! É o quinto ai! Que Alá lhe possa valer!

- Não tenhas medo! Espera aqui um pouco... Voltarei para vos levar a um sítio sossegado!

O cristão afastou-se rapidamente e, assim que desapareceu dentro das muralhas, um grupo de mouros que ouvira a conversa surgiu subitamente para roubar as duas mulheres. Com um golpe de adaga cortaram a cabeça à velha, que nem teve tempo de dar um ai. A jovem é que, ao ver a sua velha aia morrer daquele modo inesperado e cruel, soltou um novo e dolorido ai. Era o sexto, e o sétimo foi a última coisa que disse, no momento em que viu a adaga voltear para lhe cair sobre o pescoço.
Quando pouco depois D. Mendo voltou com uma escolta, ficou tristemente espantado: afinal cumprira-se a maldição!
D. Mendo jurou vingança e a partir desse dia tornou-se o cristão mais desapiedado que os mouros jamais encontraram no seu caminho.
E, em memória da moura que desejara e uma maldição matara, chamou, àquele recanto de Sintra, Seteais.
Ainda hoje, nos belos jardins de Seteais há um sítio onde se alguém disser um "ai" ouvirá um eco que o repetirá seis vezes, ouvindo-se assim sete ais em honra da moura que um dia lá morreu.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

D. Afonso Henriques


PRIMEIRA DINASTIA DA CASA DE BORGONHA- Afonsina
D. AFONSO HENRIQUES - O CONQUISTADOR

1º Monarca - Reinado:1139/1185

Damos habitualmente a este monarca a denominação de D. Afonso Henriques, por ser filho do Conde D. Henrique. Antes de ser reconhecido como rei, em 1143, teve de lutar com sua mãe e com seu primo, D. Afonso VII, de Leão e Castela. Dedicou-se com grande empenho ao alargamento do território, conquistando terras aos mouros, que ocupavam parte da Península Ibérica, também por conquista, havia mais de quatrocentos anos. Esta actividade mereceu-lhe o cognome de Conquistador.
Ocupou Lisboa (auxiliado pelos cruzados), Santarém, Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Évora e Beja. Tal como os seus sucessores, aproveitou os serviços das ordens monástico- militares, para combater os sarracenos e para desenvolver a riqueza do País, que se baseava na agricultura. As mais famosas foram a Ordem do Templo (depois de Cristo), com sede em Tomar, a Ordem de Santiago, com sede em Palmela, a Ordem de Calatrava, com sede em Avis, e a Ordem do Hospital (ou de Malta), com sede no Crato. Protegeu a fundação de diversos mosteiros, a maior parte deles na região entre os rios Minho e Mondego, sobretudo beneditinos e do ramo cisterciense; seu pai dera preferência ao ramo cluniacense. No seu tempo construiu-se o importante Mosteiro de Alcobaça, um dos mais célebres monumentos religiosos de Portugal, a sua igreja é a maior do País. Fez casamento com uma princesa italiana, D. Mafalda de Sabóia e Piemonte. Governou desde 1128 até 1185.

retirado de : http://www.eps-jose-falcao.rcts.pt/historia/dinast1.html

Sociedade da 2ª metade do século XIX


"O século da burguesia
O século XIX foi o século de ouro da burguesia. A nobreza, que perdera privilégios, viu-se substituída pelos ricos burgueses que construíam casas apalaçadas, imitando as casas dos nobres.

Alguns burgueses, com o dinheiro ganho na indústria, na banca, ou mesmo no Brasil, tentavam alcançar prestígio, comprando títulos e enfeitando os dedos com anéis de brasão.

Outros afirmavam-se na nova sociedade, apenas pelas suas funções: membros do Governo, diplomatas, advogados, solicitadores, farmacêuticos, médicos, professores, funcionários...

No final do século XIX, a burguesia tinha conseguido afirmar-se, dominando a vida política e económica. Alguns burgueses chegaram mesmo a recusar títulos de nobreza, orgulhando-se das suas origens modestas e do facto de terem conseguido vencer apenas com esforço pessoal.

O conde de Burnay, de origem belga, dominava a alta finança e tinha uma influência política muito grande. Participou em empresas ligadas ao tabaco, vidro, papel, indústria química e transportes ferroviários.

A nova classe trabalhadora

Os pequenos agricultores, os pequenos comerciantes e os artesãos formavam as novas classes do trabalho. A partir de Inglaterra, um pouco por toda a Europa, e mais tarde em Portugal, começavam a surgir fábricas. Os artesãos das antigas oficinas davam lugar aos operários.

Assim, ao longo do século XIX, começou a falar-se da «classe operária» e das suas difíceis condições de vida. Ao operariado* ligou-se o conceito de «proletário» (com prole - família muito numerosa - e sem bens próprios).

As condições de vida destes trabalhadores não melhoraram durante o século XIX; o dia de trabalho continuou a ser de mais de dez horas. A partir de 1852, assistiu-se ao desenvolvimento das associações de socorros mútuos, que se preocupavam com as dificuldades económicas dos operários e prestavam ajuda aos familiares, em situações de doença, desemprego, invalidez ou morte.

Mais tarde, os sindicatos (associações de trabalhadores de um determinado ramo) recorriam à greve (paralisação da actividade nos locais de trabalho), para verem satisfeitas as suas reclamações (salários mais altos, horário mais reduzido e melhores condições de trabalho). O movimento operário procurava aumentar a sua influência, fazendo propaganda, através de conferências, jornais, revistas, panfletos* e livros; no entanto, a classe burguesa, em Portugal, nunca se sentiu realmente ameaçada.

Devido à dificuldade dos transportes públicos, muitos bairros operários foram construídos junto às fábricas, prática que continuou durante o século XX. Os trabalhadores recebiam um baixo salário que gastavam, quase na totalidade, na alimentação. Ainda hoje alguns destes bairros continuam a ser habitados.

As novas ideias

As ideias liberais defendiam, como sabes, a liberdade, a igualdade e a fraternidade entre todos os homens. Muitos se empenharam, no século XIX, na defesa destes novos ideais. Uma das medidas humanistas que mais honrou Portugal, por ter sido o primeiro país a fazê-lo, foi o fim da pena de morte, no ano de 1867 (reinado de D. Luís).

Era também cada vez maior o número dos que lutavam para que acabasse, por completo, o tráfico de escravos.

Como te deves lembrar, no século XVIII acabou a escravatura no reino; no entanto, só em 1869 surgiu a lei que suprimiu a escravatura em todo o império português.

O ensino e as letras

Para os defensores das novas ideias, a instrução devia ser para todos os cidadãos. Isto era muito difícil de atingir num país de analfabetos (muito perto de 90% da população não sabia ler nem escrever). Apesar disso foram tomadas, logo nos primeiros anos do regime liberal, algumas medidas:

- o ensino primário passou a ser livre e um direito de cada cidadão; eram três anos de frequência obrigatória e mais um ano para os que assim o desejassem. Construíram-se muitas escolas e aumentou o ordenado dos professores;

- um forte apoio ao ensino técnico foi dado por Fontes Pereira de Melo, com a abertura de escolas industriais, comerciais e agrícolas; - em 1861, foi criado, em Lisboa, o Curso Superior de Letras; no entanto, a reforma da Universidade não foi tão profunda como a dos outros níveis de ensino."

REtirado de http://educacao.te.pt/jovem/index.jsp?p=117&idArtigo=429

sexta-feira, dezembro 09, 2011

D.Pedro IV


Rei de Portugal entre 1826 e 1834, D. Pedro IV foi o primeiro imperador do Brasil. Viajou para o Brasil com a restante família real em 1807, logo após a primeira invasão francesa. Na sequência da Revolução de 1820, em Portugal, as cortes determinam o seu regresso à metrópole, mas D. Pedro recusa-se a embarcar para a Europa. Foi então que, como líder do movimento independentista daquela colónia, decide proclamar junto às margens do rio Ipiranga a independência do Brasil (1822). Logo depois é proclamado imperador do Brasil.

Após a morte de seu pai D. João VI, em 1826, D. Pedro é designado rei de Portugal pela regente D. Isabel Maria e outorga aos portugueses a Carta Constitucional de 1826. Quis abdicar em favor de sua filha, D. Maria da Glória (futura rainha D. Maria II), mas a guerra civil travada entre liberais, liderados por D. Pedro, e absolutistas, liderados por seu irmão D. Miguel, que também pretendia o trono, adiou a coroação de D. Maria até 1834.

sábado, dezembro 03, 2011

Os Muçulmanos Invadem a Península


Os Árabes, oriundos da Arábia situada entre o mar Vermelho e o Golfo Pérsico, seguem o islamismo como religião, acreditando serem predestinados a combater para espalhar a sua fé.Com este objectivo, iniciam no Séc.VII, d.C. a sua expansão quer para Oriente, quer para Ocidente. No início do Séc.VIII, o poder muçulmano crescia no Noroeste do Continente Africano.
As lutas internas e o estado de fraqueza e de decomposição que sempre caracterizou o Império Visigótico, desagregam a pouco e pouco o seu reino cristão, por divergências várias e lutas de sucessão dinástica.
Estas querelas internas foram aproveitadas pelos Muçulmanos - nome que abrange, além dos árabes, os povos submetidos (iemenitas, hadramitas, egípcios, berberes, maharitas, muladis... , e muitos outros) por estes que seguem o islamismo - .
Os Árabes começaram então a cobiçar a Península, e numa dessas crises ocorridas em 710, pela primeira vez Tarif, num desembarque nesse mesmo ano, toma a zona onde hoje se situa a localidade de Tarifa (designação em função do nome do comandante muçulmano) na região da Andaluzia.
Em 711, os Árabes (que incluem sírios, egípcios, persas e berberes) a partir do norte de África, comandados por um chefe de Tânger de nome Tarique, atravessam o estreito de Gibraltar, penetram profundamente na Península ocupando-a quase totalmente.
Os Visigodos comandados por Rodrigo, seu último rei, são derrotados em 711 na batalha de Guadalete, e provavelmente o seu rei morto, caindo rapidamente toda a península sob a invasão muçulmana, - ficando esta data a assinalar o desmoronar da organização central dos Visigodos - refugiando-se os restos dos seus exércitos no norte da Península - nas montanhas das Astúrias em 713 - (norte de Espanha).
Nova invasão se verifica em 712 comandados por Muça Noçair à frente de um exército de guerreiros maioritariamente árabes tomando Sevilha, Mérida e Viseu.
Há opiniões contraditórias sobre o ano da tomada de Ossónoba (hoje Faro), mas considera-se como crível que terá sido ainda em 712 por seu filho - Abdalaziz - que na mesma data também conquistava Pax Julia (hoje Beja).
Foi uma presença árabe marcada por forte instabilidade, motivada pela grande diversidade tribal, geradora de graves conflitos; é neste quadro, que em 716 Abdalaziz - primeiro governador muçulmano de Al-Andaluz - foi assassinado.
A partir das Astúrias os cristãos visigodos reorganizam-se, e sob o comando de Pelágio vão reconquistando o território ocupado pelos Muçulmanos.
Derrotados os árabes na batalha de Covadonga ou Cangas de Ónis - Astúrias - é aclamado rei, formando-se assim o 1º.reino cristão das Astúrias mais tarde reino de Oviedo - e um século mais tarde chamado reino de Leão.
A esta avançada se chama a reconquista cristã.
Nela participavam reis e senhores e as populações interessadas em reaver as suas terras.
No tempo de Afonso III (886-910) - o Grande - rei de Oviedo, o reino das Astúrias alargou-se até ao Mondego e repovoou Portucale, Coimbra, Viseu, Lamego e Leão que viria a ser a capital do reino em 914.
Abu-Amir - Almansor - chefe muçulmano da Península durante mais de duas décadas - invadiu o Reino de Leão em 977. Dirigiu uma série de campanhas destruidoras (981-1002) fazendo recuar a fronteira até ao rio Douro. Com tal sucesso, passou a partir daí, a usar o cognome de Almansor, que significa "o Vitorioso" e exigiu ser tratado como um monarca.
Com o decorrer dos tempos vão-se formando na Península outros reinos cristãos: Castela, Navarra, Aragão e Catalunha.
Com a dominação muçulmana, (do Séc. VIII ao XI) os visigodos que aceitaram o seu domínio pagavam tributos aos Mouros para conservarem as suas crenças religiosas, os seus usos, os seus costumes e os seus bens. Pouco a pouco foram assimilando os usos e costumes árabes tornando-se Moçarabes - Visigodos arabizados - Denominação pela qual são conhecidas as populações Romano-Góticas.
O avanço cristão encontrou séria resistência por parte dos Muçulmanos durante vários séculos, fazendo-os recuar progressivamente para sul do Tejo, sendo essa tarefa continuada só a partir do Séc.XII na faixa ocidental da Península (hoje Portugal).
Califado Omíada
Os primeiros anos de dominação árabe na Península coube aos Califas do Oriente formando-se mais tarde o califado Omíada (756-1031) - Período dos reis dissidentes - desmembramento do império do islão devido às lutas sanguinárias, que no Oriente, começaram a travar-se entre as famílias rivais das duas poderosas seitas muçulmanas: Omíadas e Abassíadas.
Estas lutas determinaram a fuga para a Ibéria do Omíada Abderramão III que logo foi reconhecido por soberano pelo mundo árabe peninsular.
Consolidada a conquista da Península e o domínio das cidades, é fundada a dinastia Omíada, que a partir de Córdova elevará a civilização do Al-Andaluz - nome dado à parte da península ibérica dominada pelos muçulmanos - a um elevado prestígio.
A administração civil e militar era organizada em divisões geográficas.
O Califado de Córdova foi dividido em províncias - denominadas Kuwar e concelhos - denominados Kurar, na continuação da divisão administrativa romana.
O Al-Garb Al-Andaluz - lado ocidental da Península (hoje Portugal) -ficou sujeito aos Kuwar de Badajoz, Silves e Mértola.No Al-Garb Al Andaluz, o reino de Badajoz dominava as terras entre o rio Douro e o Vale do Sado. Al-Kasar (Alcácer do Sal) era o principal castelo e o centro urbano deste reino, na costa atlântica a sul do Tejo.

Reinos Taifas
As rivalidades étnicas entre árabes, berberes e escravos conduziram o Califado Omíada a uma prolongada guerra civil, degladiando-se fortemente, e ao seu colapso em 1031, que acabariam mais tarde por ser incorporados pelos almorávidas. Na sequência destes conflitos, os chefes dos kuwar - Badajoz , Silves e Mértola - cortaram as dependências com Córdova formando pequenos Reinos Taifas - Primeiro Período de 1031 a 1095 (Séc. XI) cerca de vinte e sete pequenos reinos independentes em todo o Al-Andaluz.
Entrementes outras guerras e rivalidades entre o reino de Badajoz e os reinos vizinhos de Silves, Mértola e Sevilha permitiram que os reinos cristãos se alarguem para sul.
Afonso VI de Leão e Castela (avô materno de D. Afonso Henriques primeiro rei de Portugal) - auxiliado por muitos cruzados nobres na reconquista cristã, como D. Henrique e seu primo D. Raimundo nobres da Borgonha que por aqui passavam em demanda da Palestina onde iam combater os Turcos que haviam profanado o Santo Sepulcro, - alcança o rio Tejo conquistou em 1085 Toledo e aproximou-se de Badajoz e Sevilha. Durante o Séc. X desenvolve-se o método de alianças e protectorados com os príncipes muçulmanos.
Emirado Almorávida
Perante a ofensiva dos cristãos, os reis Taifas pediram auxílio ao Emir Almorávida (1061-1104) de Marraquexe que conseguiu conter a ofensiva cristã. Aproveitando-se do prestígio alcançado, anexou os reinos Taifas e criou nos fins do Séc. XI um império - o Emirado Almorávida - (1095-1144) que abrangia todos os territórios islâmicos da Península Ibérica e Marrocos. Esta nova realidade política trouxe também o renascer da exaltação da fé islâmica e a intolerância religiosa.Os moçarabes são perseguidos e fogem para o norte cristão.
O Emirado Almorávida entra em lento declínio, terminando com a conquista de Granada pelos reis católicos. Em Marrocos surge no Séc. XII um movimento de oposição religiosa, os Almoadas que, em 1147, tomam a cidade de Marraquexe e asseguram o controle de todo o território marroquino.
Reinos Taifas
No Al-Garb Al-Andaluz, os governadores de Mértola, Beja e Silves aproveitaram o declínio do Emirado Almorávida e tornaram-se "independentes" em 1144, iniciando no Séc. XII um novo período de Reinos Taifas (1144-1147). O reino de Beja dominava, para além do castelo de Cassem, (a chamar-se mais tarde Santiago de Cacém) todos os outros a sul do Tejo e os de Lisboa e Santarém a norte.Depressa surgem rivalidades e guerras entre os reinos de Taifas de que tiraram partido o reino de Portugal (ao norte) e o califado Almoada (ao sul).
Califado Almoada
De 1190 a 1217.Em 1190, o califa almóada lançou uma grande ofensiva que conduziu à reconquista de todos os castelos, ao rei de Portugal D. Sancho I, a sul do Tejo no litoral atlântico.

A partir de 1217 todos os castelos ao sul do Tejo seriam pertença da coroa portuguesa para todo o sempre, depois de reconquistadas as últimas praças (Al-Kasar e Kassen), e só em 1249 todo o Al-Garb Al-Andaluz seria definitivamente aniquilado com a conquista do Algarve em 1249 por D.Afonso III .

terça-feira, novembro 29, 2011

Higiene no tempo dos romanos

Este desenho é uma reconstituição!
Foi elaborado a partir de ruinas que ainda hoje podemos observar...os romanos pareciam
 um pouco mais preocupados com sua higiene do que outros seus contemporâneos no ocidente. Eles usavam uma esponja presa a um pedaço de madeira e depois a colocavam em um balde com água salgada.
Aqui tens um vídeo para que possas "visitar" umas termas romanas. Boa Viagem!

sexta-feira, novembro 25, 2011

História da Língua Portuguesa


O que é a língua portuguesa?
O PORTUGUÊS é a língua que os portugueses, os brasileiros, muitos africanos e alguns asiáticos aprendem no berço, reconhecem como património nacional e utilizam como instrumento de comunicação, quer dentro da sua comunidade, quer no relacionamento com as outras comunidades lusofalantes.
Esta língua não dispõe de um território contínuo (mas de vastos territórios separados, em vários continentes) e não é privativa de uma comunidade (mas é sentida como sua, por igual, em comunidades distanciadas). Por isso, apresenta grande diversidade interna, consoante as regiões e os grupos que a usam. Mas, também por isso, é uma das principais línguas internacionais do mundo.
É possível ter percepções diferentes quanto à unidade ou diversidade internas do português, conforme a perpectiva do observador.
Quem se concentrar na língua dos escritores e da escola, colherá uma sensação de unidade.
Quem comparar a língua falada de duas regiões (dialectos) ou grupos sociais (sociolectos) não escapará a uma sensação de diversidade, até mesmo de divisão.


Unidade
Uma língua de cultura como a nossa, portadora de longa história, que serve de matéria prima e é produto de diversas literaturas, instrumento de afirmação mundial de diversas sociedades, não se esgota na descrição do seu sistema linguístico: uma língua como esta vive na história, na sociedade e no mundo.
Tem uma existência que é motivada e condicionada pelos grandes movimentos humanos e, imediatamente, pela existência dos grupos que a falam.
Significa isto que o português falado em Portugal, no Brasil e em África pode continuar a ser sentido como uma única língua enquanto os povos dos vários países lusofalantes sentirem necessidade de laços que os unam. A língua é, porventura, o mais poderoso desses laços.
Diz, a este respeito, o linguista português Eduardo Paiva Raposo:


A realidade da noção de língua portuguesa, aquilo que lhe dá uma dimensão qualitativa para além de um mero estatuto de repositório de variantes, pertence, mais do que ao domínio linguístico, ao domínio da história, da cultura e, em última instância, da política. Na medida em que a percepção destas realidades for variando com o decorrer dos tempos e das gerações, será certamente de esperar, concomitantemente, que a extensão da noção de língua portuguesa varie também.

Luís de Camões

Apesar de pouco se saber sobre Luís Vaz de Camões, ainda assim mesmo o pouco que se sabe é, ainda assim e na maioria dos casos, duvidoso. Pensa-se que Luís de Camões nasceu em Lisboa, talvez no ano de 1524, sendo descendente de uma família oriunda do Norte do país, mais precisamente de Chaves, mas este é um dos fatos sobre os quais não há certezas. Para os defensores desta tese, Luís Vaz de Camões era filho de Simão Vaz de Camões e de Anna de Sá e Macedo. Se assim for, por parte do pai, Luís de Camões seria trisneto do trovador galego Vasco Pires de Camões, sendo também, da parte da mãe, parente do famoso navegador português, Vasco da Gama.
Luís de Camões viveu, provavelmente, durante algum tempo em Coimbra onde terá frequentado aulas de Humanidades, no Mosteiro de Santa Cruz, local onde vivia um tio seu que era padre. No entanto, embora seja certa e esteja mesmo documentada a existência desse tio, D. Bento de Camões, não existe qualquer registo da passagem do poeta por Coimbra. Mesmo assim, essa tese parece ser a mais provável, na opinião dos vários estudiosos da sua vida pois, segundo esses, em algum lado Luís de Camões deve ter adquirido a grande bagagem cultural que demonstra possuir através das suas obras. Após essa fase da sua vida, Luís de Camões terá regressado a Lisboa, onde levou uma vida de boémia. A Luís Vaz de Camões são atribuídos vários amores, não só por algumas damas da corte mas também pela própria Infanta D. Maria, irmã do Rei D. Manuel I.
Mais tarde, Luís de Camões decidiu regressar a Portugal, mas pelo caminho acabou por naufragar na costa de Moçambique, sendo forçado, por falta de meios para prosseguir a viagem, a ficar aí durante algum tempo. Foi aí, em Moçambique, que o seu amigo Diogo do Couto o encontrou, sendo este encontro relatado na sua obra, dando-nos assim a conhecer que o poeta estava nessa altura tão pobre que vivia da ajuda de amigos, daquilo que estes lhe podiam dar. Foi esse mesmo Diogo do Couto quem lhe pagou a viagem até Lisboa, tendo este finalmente aportado no ano de 1569.

Apesar de extremamente pobre e de se encontrar doente, Luís de Camões conseguiu ainda assim publicar “Os Lusíadas” em 1572, graças à influência que alguns dos seus amigos tinham junto do rei D. Sebastião. Mas, até mesmo a publicação da sua obra maior, “Os Lusíadas”, está envolta num pequeno mistério pois existem duas edições do mesmo ano e não se sabe qual foi a primeira. Assim, como recompensa pelos serviços prestados à pátria, o monarca português concedeu-lhe uma modesta pensão. No entanto, por ser sempre paga muito tardiamente, esta pensão também nunca foi suficiente para o salvar da extrema pobreza.
Luís Vaz de Camões acabou por falecer em Lisboa, no dia 10 de Junho de 1580, sendo sepultado a expensas de um amigo. O seu túmulo, situava-se na cerca do Convento de Sant’Ana, em Lisboa. No entanto, o mesmo perdeu-se com o terramoto de 1755, não se sabendo atualmente qual o paradeiro dos restos mortais do poeta, sendo esse o motivo de não estar sepultado em nenhum dos dois túmulos oficiais que hoje lhe são dedicados, sendo um deles no Mosteiro dos Jerónimos e o outro no Panteão Nacional.

Camões é considerado o maior poeta português, sendo que a sua obra situa-se entre o Classicismo e o Maneirismo. No entanto, alguns dos seus sonetos, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam já o estilo Barroco que se aproximava.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Arte Rupestre


A arte rupestre (ou parietal) consiste em pinturas e gravuras efectuadas sobre a rocha (ao ar livre ou, mais frequentemente nas paredes e tectos de grutas) pelo homem do Paleolítico Superior. Na maior parte das vezes são representados animais em liberdade e cenas de caça. Também são encontradas, muitas vezes, mãos humanas em negativo enquanto as representações humanas são muito raras.

Segundo a maioria dos historiadores a arte rupestre seria uma forma de manifestação simbólica ou de práticas de magia e feitiçaria: a representação de animais que geralmente eram caçados teriam como objectivo fazer com que as caçadas tivessem sucesso.

Os principais centros de arte rupestre localizam-se em França na região dos Pirinéus e em Espanha na região do Levante (os locais mais famosos são as grutas de Lascaux e Niaux em França e Altamira em Espanha. Em Portugal merece destaque a Gruta do Escoural no Alentejo e as gravuras ao ar livre no Vale do Côa.

Juntamente com as estatuetas femininas e as esculturas de cabeças de animais (a chamada arte móvel) a arte rupestre constitui a primeira forma de manifestação artística do Homem.

Escravatura – Funções desempenhadas pelos escravos


«Quanto a alimento, passamos muito bem, porque sendo com abundância o fornecimento diário desta casa, todos os escravos são cozinheiros e o meu antigo preto é, além disso, o comprador, merecendo muito a minha estimação por não ter vícios alguns.

Temos lavadeira escrava da casa que, de duas em duas semanas, vai ao rio lavar a nossa roupa; e temos em casa duas negrinhas mocambas que são costureiras e engomadeiras, e uma delas é também rendeira. A mesma preta lavadeira é também compradora naquilo que lhe compete e todas elas cumprem o serviço, não só de cozinha como de sala, quando sucede ser preciso.»

Carta de um funcionário da Livraria Régia para o pai em Lisboa

«Toda a casa que se prezava era provida de escravos aos quais se haviam ensinado algumas artes mais comuns da vida e que não somente trabalhavam nessas especialidades para a família a que pertenciam, como eram também alugados pelos seus senhores a pessoas não tão bem providas quanto aqueles. Não conseguiam ganhar muito. Em 1808 considerava-se um jornaleiro bem pago com meia pataca por dia. Mas o afluxo de estrangeiros e a multiplicação das necessidades dentro em pouco elevaram o valor do trabalho e em grau exorbitante. Deu isso motivo a que surgisse uma nova classe social composta de pessoas que compravam escravos para o fim específico de instruí-los em alguma arte útil, ou ofício, vendendo-os em seguida por preço elevado, ou alugando seus talentos e trabalho.»

JOHN LUCCOCK, Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil (1820), (este negociante permaneceu no Brasil entre 1808 e 1818).