D. Pedro IV

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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Rainha Mãe



Até que enfim temos um pouco de serenidade e elegância nesta amálgama de nicks místicos, sangrentos e cortantes!

A Rainha Mãe que identificamos mais facilmente é Elizabeth Bowes-Lyon, mãe da actual rainha Isabel II de Inglaterra. Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon nasceu a 4 de Agosto de 1900. A sua infância foi passada no castelo de Glamis, a norte de Edinburgo, uma vez que a família Bowes-Lyon é descendente da casa real da Escócia.
Em 1923 foi anunciado o seu noivado oficial com o príncipe Alberto, Duque de York, o segundo filho dos reis. Casaram-se a 26 de Abril de 1923 na Abadia de Westminster, e tiveram duas filhas, a Princesa Elisabeth, (futura Isabel II), nascida a 21 de Abril de 1926 em Londres, e a Princesa Margarida, a 21 de Agosto de 1930, no Castelo de Glamis.
Após a morte do rei George V em 1936 e a abdicação ao trono por parte do rei Eduardo VIII, a 1 de Dezembro do mesmo ano, para casar com uma americana divorciada, Wallis Simpson, a sucessão real coube a Albert, como George VI, e a coroação teve lugar a 12 de Maio de 1937.
Com o rebentamento da 2ª Guerra Mundial em 1939, surgiu a hipótese da rainha e suas filhas serem evacuadas para a América do Norte, mas essa proposta foi recusada pela rainha, que se encontrava no Palácio de Buckingham quando este foi bombardeado, em Setembro de 1940. Depois dos raides aéreos, o casal real visitava as áreas mais afectadas do país.
Após a morte do rei, em 1952, a Rainha Mãe (assim designada pelos ingleses para a distinguirem da sua filha, também rainha e também Elizabeth) continuou a comparecer aos deveres reais, tornando-se um dos símbolos mais fortes da monarquia britânica. No dia do seu 100º aniversário, em Londres, a soberana recebeu um bolo de aniversário que levou 10 semanas a confeccionar e que incluia tudo o que a Rainha-Mãe gostava e, em particular, o gin, a sua bebida favorita.
A Rainha Mãe morreu com 101 anos, em 30 de Março de 2002.

O Nome do Pintor

Sandro Botticelli nasceu em 1444, em Florença, filho de um fabricante de curtumes de nome Mariano Di Vanni e da sua mulher, Smeralda.
Oficialmente chamava-se Alessandro di Marini di Vanni Filipepi; no entanto, o nome próprio Alessandro foi-se transformando em Sandro. Quanto ao nome Botticelli, tem a ver com a alcunha do seu irmão mais velho, Giovanni, a quem, por ser bastante forte, chamavam "Il botticelli", ou seja, " O barrilzinho". A alcunha veio a ser adoptada por todos os membros da família.
Curiosidade da autoria de Madalena Niza, do 9ºA, da Escola E.B. 2,3 D. Pedro IV, em Queluz.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Café na Brasileira


A Brasileira do Chiado abriu as suas portas ao público em 19 de Novembro de 1905, vendendo o "genuíno café do Brasil", produto que na época era muito pouco apreciado ou mesmo evitado pelas donas de casa lisboetas. A novidade agradou e cada vez Adriano Telles vendia mais quantidade de café, que na altura custava 720 réis cada quilo. O sucesso começou a ser tão grande que, três anos depois, em 1908, o empresário avançou para a construção de uma Sala de Café, uma novidade na época. Os lisboetas deslumbraram-se com o luxo e a inovação do novo estabelecimento, que em breve se tornou ponto obrigatório da elite da cidade. Trabalhadores e estudantes da Biblioteca Nacional, da Faculdade de Letras e da Escola de Belas-Artes, frequentadores do Teatro São Carlos, advogados, médicos, jornalistas, revolucionários, escritores, poetas, pintores, todos ali se juntavam para beber café e, principalmente, conversar.
Também ali nasceu o termo "a bica", que hoje em quase todo o país significa uma chávena de café. Conta-se que um dia alguns clientes reclamaram da qualidade do café, tendo o proprietário mandado um dos empregados tirar o líquido directamente da bica, ou seja, do saco, sendo o seu sabor e aroma mais intensos, dado que na altura o café era servido numa cafeteira e despejado na chávena à mesa. Outra versão conta que que as primeiras pessoas que bebiam o café não queriam voltar a fazê-lo, porque achavam que era muito amargo e desagradável. Por isso, os donos dos cafés, como slogan de propaganda distribuiam papéis, juntamente com o café, que diziam: Beba Isto Com Açucar. Com o passar dos anos, ficaram apenas as iniciais criando a palavra BICA, que se tornou um "marco cultural" lisboeta.
Curiosidade da autoria de Eduardo Costa, Rafael Neves e Ricardo Correia, do 8ºA da Escola E.B 2,3 D. Pedro IV, Queluz.
Fonte: http://lazer.publico.clix.pt/artigo.asp?id=12257

Prémios Blopes


O "Curiosidades da História" foi a votos! Concorreu aos Blopes na categoria de de "Melhor Blog Feito por uma Escola". E já que aqui estamos queremos passar a ser uma curiosidade da história dos blogs e dos blopes. Queremos ganhar!
Para votar no "Curiosidades da História" clique aqui!
Se não ganharmos tudo pode acontecer: A Guilhotina poderá deixar de cortar! Raspoutine poderá mudar-se para Portugal (com consequências imprevisíveis). A professora Odete finalmente mudará o "nick", ficando irreconhecível. O Espada Xim não voltará a espadeirar! BloodyMary ainda não disse nada, mas sabe-se lá do que ela é capaz...!

domingo, fevereiro 05, 2006

Sangue para rejuvenescimento…



Elizabeth Bathory foi uma condessa e viveu entre os séculos XVI e XVII. Embora frequentemente citada como húngara, ela era na realidade mais intimamente associada com o que é hoje a República Eslovaca.
Diz-se que certo dia a condessa estava sendo penteada por uma jovem criada, quando a menina lhe puxou acidentalmente os cabelos. Elizabeth virou-se para ela e espancou-a. O sangue espirrou e algumas gotas ficaram na mão de Elizabeth. Ao esfregar o sangue nas mãos, estas pareciam tomar as formas joviais da moça. Foi a partir desse incidente que a condessa desenvolveu a reputação de desejar sangue de jovens virgens.
Num período em que o comportamento cruel e arbitrário dos que mantinham o poder para com os criados era coisa comum, o nível de crueldade de Elizabeth era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava desculpas para infringir punições e se deleitava na tortura e na morte de suas vítimas muito além do que seus contemporâneos poderiam aceitar. Enfiava pinos em vários pontos sensíveis do corpo, como, por exemplo, debaixo das unhas. No Inverno, executava suas vítimas fazendo-as despir-se e andar na neve, despejando água gelada sobre elas até ao ponto de congelamento corporal.

Fonte: O Livro dos Vampiros - J. Gordon Melton
Para saber mais…
http://pt.wikipedia.org/wiki/Erzsébet_Báthory

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A que "poema" pertencem os versos seguintes???


Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco duma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm
Contra as injúrias da sorte.

Colaboração de Diogo Machado e de Alberto Machado, que nos enviaram esta pergunta por mail. São mais dois curiosos destas coisas... da história.

sábado, janeiro 28, 2006

O urso e o Presidente


Theodore (Teddy) Roosevelt foi o 26º Presidente dos Estados Unidos da América, entre 1901 e 1909. Em 1902, quando se encontrava no Mississsipi ajudando a resolver uma disputa de territórios entre aquele estado e o da Louisiana, foi organizada uma caçada em sua honra, durante a qual o Presidente se recusou a matar, por considerar cruel e anti-desportista, um urso preto que tinha sido atado a uma árvore.
No dia seguinte, Clifford Barryman, cartoonista do jornal “Washington Post”, editou um cartoon do incidente na primeira página do jornal: Barryman desenhou Roosevelt com a sua arma, de costas para o urso e gesticulando a sua recusa de matar o animal. Escrito em baixo do cartoon estava “Desenhando a linha no Mississippi", numa referência à questão territorial que o Presidente tentava resolver.

Este cartoon atraiu a atenção do dono
de uma loja em Brooklyn, Morris Michtom, que pôs na montra dois ursos de feltro feitos pela sua mulher, Rose, com botões de sapatos castanhos no sítio dos olhos. Michtom reconheceu logo a popularidade do novo brinquedo, pelo que pediu a Roosevelt para dar aos ursos o nome de “Teddy's Bear” (o urso do Teddy), ao que o Presidente deu permissão.
O novo brinquedo tornou-se um sucesso, pelo que Michtom decidiu alargar o negócio, montando uma empresa com o nome de “Ideal Novelty and Toy Corporation", que produzia os famosos ursos, razão pela qual um urso de peluche é muitas vezes designado por "teddy bear".

Curiosidade da autoria de Edgar Marques, do 9ºA, da Escola E.B. 2,3 D. Pedro IV, Queluz.

Fontes: http://www.inventors.about.com

www.theodoreroosevelt.org

domingo, janeiro 15, 2006

Um herói diferente


Em Maio de 1940, Aristides de Sousa Mendes era cônsul de Portugal em Bordéus. Contrariando as ordens recebidas do governo de Salazar, assume a concessão indiscriminada de vistos a milhares de refugiados da 2ª Guerra Mundial, a maioria dos quais eram judeus. A desobediência não parou aí. Sabendo que um número igualmente grande de refugiados estava à espera de vistos diante do consulado português em Bayonne, e uma vez que o respectivo cônsul não resolvia a crise, Sousa Mendes deslocou-se àquele consulado e assumiu o comando da situação, emitindo, uma vez mais, milhares de vistos.
Deslocou-se também à cidade fronteiriça de Hendaye, onde continuou a fornecer vistos não autorizados. Quando as autoridades fronteiriças espanholas deixaram de aceitar os vistos passados por ele, Sousa Mendes acompanhou pessoalmente um grande número de refugiados através da fronteira, para lhes assegurar a passagem.
É impossível estabelecer os números exactos, mas é quase certo que mais de 10 000 refugiados conseguiram fugir da França ocupada pelos nazis, atravessar o território espanhol e a seguir entrar em Portugal, graças aos vistos de Aristides de Sousa Mendes.
Em 24 de Junho de 1940, Salazar acusava Sousa Mendes de “ concessão abusiva de vistos em passaportes de estrangeiros”. Isto significou o fim da carreira de 30 anos de Sousa Mendes na diplomacia portuguesa, bem como a proibição do exercício de qualquer cargo na função pública do seu país.
Aristides de Sousa Mendes e a sua numerosa família passaram a viver da caridade dos parentes mais próximos, e a verdade sobre a coragem deste homem foi imediatamente silenciada pela ditadura salazarista.


Curiosidade da autoria de António Santos e Íris Fernandes, do 9º B da Escola E.B. 2,3 D. Pedro IV, em Queluz.

domingo, janeiro 01, 2006

sanguessugas : ontem e hoje...


As sanguessugas medicinais Hirudo medicinalis são anelídeos que sugam o sangue de mamíferos.Podem ingerir uma quantidade de sangue 10 vezes superior ao seu próprio volume. Até ao século XIX, as sanguessugas eram utilizadas na medicina oriental e mesmo na medicina ocidental (nas sangrias).Os Egípcios, os Gregos e os romanos praticaram as sangrias com sanguessugas. Recentemente, voltaram a ser utilizadas em medicina, em casos de grandes dificuldades circulatórias em membros, com possibilidade de gangrena, visto que a sua acção sugadora e o anticoagulante que injectam, forçam o sangue a circular, ajudando a manter vivas as células.
...
Já agora, pareceu-nos oportuno citar dois provérbios e outros lugares comuns da língua portuguesa sobre sangrias,purgas e Medicina em geral. Aí vão:
'Em Lisboa nem Sangria Má nem Purga Boa'.
'Pés quentes, cabeça fria, cu aberto, boa urina - Merda para a medicina'.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sanguessuga
http://www.feridologo.com.br/sanguessuga.htm
http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/textos75.html


terça-feira, dezembro 27, 2005

Diogo Alves


Sabias que:
Diogo Alves foi um criminoso? Ele escondia-se no Aqueduto das Águas Livres e, quando alguém passava, agarrava essa pessoa, roubava-lhe tudo o que tinha e, para não ser denunciado, atirava-a do Aqueduto abaixo.
Viveu entre os séculos XVIII e XIX e foi enforcado em 1841.

Este post é da autoria de Maia (nome fictício), aluna do 6º C da Escola EB 2, 3 D. Pedro IV, em Queluz.

Os Crimes de Diogo Alves


Os Crimes de Diogo Alves
“Filme que retrata a vida de Diogo Alves, um espanhol que veio viver para Lisboa e que de 1836 a 1839 perpetrou vários crimes hediondos, muitos deles instigado pela sua companheira Parreirinha. Foi por fim apanhado pelas autoridades e sentenciado à forca. O enredo foi baseado num dos folhetim dedicados aos "Criminosos Célebres" portugueses.”
http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=499

“A rodagem decorreu por três semanas, e os custos ascenderam a duzentos mil reis. Estreada no Salão Trindade, inaugurou entre nós a venda de bilhetes. Apesar do sucesso, a empresa Nandim de Carvalho suspendeu as sessões, por temer que afastasse a acostumada frequência burguesa.”
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/cinema/filmes3.html

"
Os Crimes de Diogo Alves , datado de 1911, (…) o mais antigo filme de ficção português com cópia conservada. Rodado em três semanas e com um orçamento de duzentos mil réis, este filme recria os crimes de Diogo Alves, homem que entre 1836-39 aterrorizou a cidade de Lisboa, lançando as suas vítimas do alto do Aqueduto das Águas Livres para o Beco da Barbadela.”
http://www.amordeperdicao.pt/noticias_solo.asp?artigoid=301

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Sangrias

As chamadas pestenenças prolongavam-se por meses, algumas por anos a fio, como a de 1497. Elas sangraram tanto o tecido social que, até à primeira metade do século XV, a população portuguesa teve uma queda demográfica constante.
Mas não só a peste “sangrava”…Era prática corrente os médicos “sangrarem” também…Que sangria desatada!

MS. Ashmole 1462. Miscelânea de textos médicos e erbário em latim. Inglaterra (séc. XII, fol. 9v).
Na parte superior desse belo documento médico medieval, três pacientes em repouso, deitados; abaixo, duas figuras de pé. Cinco estão despidos, um semi-vestido e outro (abaixo), vestido. Esses sete homens estão marcados com pontos vermelhos, indicando o processo de cauterização ou sangria com sanguessugas. Na Inglaterra o médico era um “sanguessuga”. Os textos ao lado de cada paciente dizem a causa: de cima para baixo, elefantíase, asma, febre terçã e dor de dente. Repare que o que está vestido tem os pontos de cauterização nas orelhas.”

http://www.ricardocosta.com/pub/corpoealma.htm

sábado, novembro 26, 2005

É milagre! É milagre...SANGRENTO!


São Januário, Mártir(+ Pozzuoli, Itália, 305)
São Januário (também conhecido como San Gennaro), bispo de Benevento, cidade situada a 70 km de Nápoles, foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano, juntamente com seis clérigos de sua diocese: Sósio, Próculo, Festo, Desidério, Eutíquio e Acúrcio. Lançados ao fogo, as chamas, milagrosamente, não os feriram. Expostos às feras, estas também os deixaram ilesos. Foram, por fim, decapitados..

Uma ampola, contendo o sangue de Januário, foi conservada com respeito e, até hoje, 17 séculos depois, liquefaz-se milagrosamente três vezes por ano, em datas certas dos meses de Maio, Setembro e Dezembro. Diante dos olhos de toda a multidão reunida, o sangue deixa o estado sólido e passa ao líquido, crescendo consideravelmente de volume e tomando a coloração avermelhada do sangue recém-derramado.

www.santododia.com.br/biograf13/januario.htm

Estou curioso, muito curioso! Que aves eram essas que Vasco da Gama viu?


E que ele e os seus navegadores descreveram assim: "(...) há umas aves que são tamanhas como patos, e não voam porque não têm penas nas asas, e chamam-lhes sotilicairos (...); as quais aves zurram como asnos".
Estavam a caminho da Índia, na ponta meridional de África, na Angra de S. Brás.
Vasco da Gama não ficou conhecido por este acontecimento, mas sim por ter chegado à Índia, por mar, em 1498, ligando 3 continentes: Europa, África e Ásia.
Ou, dito de outra maneira, por ter "descoberto" o Caminho Marítimo para a Índia (viagem entre 1497 e 1499).
Ainda assim, que aves eram aquelas do continente quente (???) ?

quinta-feira, novembro 24, 2005

Crime, disse ela - 1ª parte


João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael nasceu em Lisboa, a 13 de Maio de 1767 e faleceu na mesma cidade, a 10 de Março de 1826, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora. Ora foi precisamente durante as obras de restauro deste mosteiro que, cento e oitenta e cinco anos depois, em 1993 portanto, o arqueólogo Fernando Rodrigues Ferreira descobriu, no chão esventrado da capela dos Meninos de Palhavã, um pote de porcelana contendo as vísceras e o coração de D. João VI, falecido em 1826, embalsamado e, dias depois, depositado no Panteão dos Reis de Bragança, naquele mesmo mosteiro.
Feitas as análises laboratoriais ao achado, para além de virem confirmar as fortes suspeitas, que sempre existiram, de que o rei teria sido assassinado, constatando-se ter sido uma excessiva dose de arsénico o agente causador da sua morte aos cinquenta e nove anos de idade, verificou-se também, entre os muitos resíduos já pulverizados que se encontravam nos intestinos de D. João VI, a existência de pequenos fragmentos de um fruto que, após análise mais rigorosa efectuada no Laboratoire National de Monteplier, em França, se concluiu, irrefutavelmente, tratar-se de nêspera.
O envenamento deverá ter sido feito progressivamente, pois algumas semanas antes de morrer D. João VI já se encontrava bastante doente, tendo mesmo entregue o governo a uma Junta de Regência chefiada por sua filha, a Infanta D. Isabel Maria.




O espadachim e o máximo da realização individual

Ao falar de espadachins lembramo-nos logo dos três mosqueteiros de Alexandre Dumas, chapelões e floretes traçando trajectórias mirabolantes, em vénias cavalheirescas ou em demonstrações exímias na arte da guerra.

Também no Oriente, um homem com espada na mão, representou até pelo menos ao século XVII (nesta data os Samurais foram começando a perder o seu anterior prestígio, após a introdução da primeira arma no Japão pelos portugueses…) o máximo da realização individual. Vários espadachins percorriam vastas regiões, alguns simplesmente procurando um adversário famoso como forma de promoção, outros realmente buscando aperfeiçoar sua técnica.

Ainda hoje, a arte de tentar tocar sem ser tocado, é exercida habilmente por alguns, não já com a espada, florete ou sabre, mas com a caneta (agora já nem caneta é, é na máquina…) … Não corresponderá ao máximo da realização individual, mas andará lá perto…E além disso, a caneta tem mais força que a espada… (alguém pronunciou esta sentença célebre).

Assim é o nosso Espada xim

Curiosidades da Memória

Viver em Lisboa nos anos 60, ao lado do Hospital da Marinha, que é como quem diz ao lado da Feira da Ladra, deixa muitas memórias, ou deixa muitas histórias...
O pequeno almoço tinha sempre pão fresco (curiosamente quente), acabado de cozer. À noite deixava-se o saco de pano pendurado na porta do prédio, com um bilhete a dizer: "Sr. Vicente, são doze papo-secos". E de madrugada lá vinha o Vicente, de cesto fundo de verga, aos ombros, abastecer de papo-secos (carcaças) os dorminhocos esfomeados.
Quanto ao leite, o procedimento era semelhante: à noite ficava a garrafa (ou garrafas) de vidro, vazia, à porta. De manhã estava lá uma cheia, com uma tampinha fininha de folha metálica, fácil de retirar.
Pagava-se à semana, ou ao mês, creio eu!
Nos arredores de Lisboa, as coisas eram diferentes...
Para o leite, nada como ir directamente à vacaria, aqui ,onde não digo, era a Vacaria do Canas... Vasilha na mão, passeio nos pés, e lá íamos nós comprar o leitinho para de manhã beber.
Depois era chegar a casa e fervê-lo, para matar a bicharada...
E mais não digo que tenho leite ao lume e... pode entornar-se!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ainda os bilhetes da Carris

Voltando aos bilhetes da Carris, eles serviram também para fazer publicidade....



Mas não só!

No período que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, os bilhetes continham verdadeiros manifestos políticos:

Botas em Folha de Papel


Se são curiosidades da História, ou só coisas da Memória, não sei, não me lembro lá muito bem.
Tenho uma ideia de que, quando era miúdo e tinha aulas de História, num liceu antigo, nos anos sessenta dos anos de novecentos, nem toda a gente comprava o calçado em sapatarias...!
Era caro e faltava o hábito de o fazer... Sei que ia ao sapateiro que trabalhava num vão de escada, com banca para rua (quase medieval)...
Sei que me mandava pôr o pé em cima de uma folha de papel..., sei que me tirava o molde e me mandava voltar algum tempo depois.
E depois eram sapatos, botas ou sandálias, conforme a estação do ano, feitas à mão, artesanalmente, de grande qualidade...
Bonitas ou feias? Não sei! Na altura, não muito bonitas porque eram diferentes das dos meus amigos clientes das sapatarias. Hoje, muito belas porque ficaram na minha memória, de miúdo..., o formato e tudo!
E isto tudo para que a memória de certos episódios não se esqueça!

terça-feira, novembro 22, 2005

À Descoberta da Sardinha Assada no Séc. XVIII...


"(...) Uma fumarada gordurosa, com mau cheiro, densa, vai saindo lentamente de uma porta, vai saindo até tapar a vista de uma parte do edifício em frente do qual se enovela e se espalha.
Defronte, um grupo numeroso de pessoas de ambos os sexos atravanca a passagem em grande agitação e movimento: ouve-se gritos, que aqui e além se cruzam.
Todo este espectáculo me leva a crer tratar-se de um incêndio. Aproximo-me, furo por entre a multidão, e depara-se-me um fogareiro, uma grelha, uma chaminé, um homem enfarruscado e oleoso, ajudado por uma mulher suja e de aspecto repelente. Ali se frita e assa sardinhas, enquanto aquele amontoado de pessoas espera que elas estejam prontas para cada uma levar o quinhão que pretende.
E a isto se chama Lojas de Frigideiros. São abarracamentos ambulantes que se encontram espalhados por toda a Lisboa, nas ruas, nas praças, nas portadas, principalmente à portas das tabernas. (...)
Estas vendas constituem um grande recurso e comodidade para o povo, que ali encontra prontos e por um preço mínimo o almoço, o jantar e a ceia. Cada indivíduo, munido já do seu pão, compra cinco ou seis sardinhas fritas ou assadas pelo preço de um soldo, ou dezoito dinheiros, e ali mesmo come, ficando jantado. Se dispõe de mais algum dinheiro, pede um copo de vinho na taberna e fica satisfeito. (...)
Mas se para o povo estes estabelecimentos constituem uma grande comodidade, a sua multiplicação, para os que têm a desgraça de lhes serem vizinhos, tem muitos inconvenientes; incomodados como são pelo fumo, pelo cheiro, três vezes por dia aturdidos com o barulho ensurdecedor da multidão que os procura. (...)
Tais lojas tornam-se assim o terror dos inquilinos das casas suas vizinhas, e por isso todos evitam habitar nos sítios onde elas estão instaladas. A precaução, porém, é inútil. A Loja do Frigideiro, que é ambulante e desmontável, muda de lugar num instante, e logo vais estabelecer-se numa portada ou debaixo de uma janela, em sítio onde antes nunca existira estabelecimento semelhante. (...)"
Carrére, J.B.F., Panorama de Lisboa no ano de 1796, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1989