D. Pedro IV

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quinta-feira, novembro 17, 2005

Canhotas e outras bruxas


Ser canhoto ou esquerdino significa ter mais habilidade com a mão esquerda do que com a mão direita. Mas esta característica tão simples teve, ao longo do tempo, implicações muito importantes a nível da sociedade e da religião: de facto, "canhoto" é também o mesmo que demónio, daí a utilização da expressão "cruzes, canhoto!"
Embora inicialmente a palavra latina "sinister", que queria dizer "esquerdo", significasse "afortunado", as línguas francesa, espanhola e italiana aplicam à palavra canhoto um significado pejorativo: esquerda em italiano diz-se "sinistra" e a palavra francesa "gauche" (esquerdo) pode aplicar-se também a algo incorrecto ou desajeitado, no sentido idêntico ao da palavra portuguesa "canhestro", que é sinónimo de canhoto. Na religião muçulmana, houve mesmo alguns seguidores de Maomé que afirmaram que Alá tinha duas mãos direitas. Excepção à regra é o grego, que foi o único a favor da esquerda, no que se refere ao sinónimo. O termo grego que designa a mão esquerda, tem o sentido de “melhor” e a mesma origem da palavra "aristocracia".
Na época medieval, as mulheres canhotas foram alvo de especial perseguição, tornando-se os bodes expiatórios perfeitos para aplicar a qualquer pessoa que tivesse um comportamento diferente do "normal". A propaganda religiosa sobre o "pecado" enraizou-se em massa nas comunidades, dando origem a uma rede de intrigas que envolvia também as velhas, as viúvas, as loucas, as solitárias, as promíscuas e as parteiras e praticantes da medicina popular. No caso das canhotas, as acusações de bruxaria baseavam-se na relação estabelecida nos textos antigos entre o lado esquerdo e o pecado e a tentação.

Bibliografia:
SANTOS, Manuel Coelho dos, O direito de ser canhoto, Lisboa, Quarteto Editora, 1991
NOGUEIRA, Carlos Roberto, As práticas mágicas no Ocidente Cristão, Rio de Janeiro, Editora Ática, s.d.

terça-feira, novembro 15, 2005

Selo Adesivo

Antes da utilização do selo postal, as cartas eram pagas pelos destinatários e o valor a pagar dependia do peso da carta e da distância. Este processo complicado causava vários problemas, como a recusa das cartas pelos destinatários, assaltos aos carteiros , ou mesmo o "desvio" para o bolso dos carteiros do dinheiro pago pelos destinatários das cartas.

Em 6 de Maio de 1840, por iniciativa de Rowland Hill, começou a circular, na Grã-Bretanha, o primeiro selo adesivo, o "Penny Black", com a imagem da rainha Vitória.
Procurava-se, deste modo, dar solução aos problemas descritos.

Em Portugal, os primeiros selos (da autoria de Francisco de Borja Freire) são posteriores a esta data e foram postos em circulação a 1 de Julho de 1853 - selos de 5 e 25 reis. Os selos de 100 e 50 reis entraram em circulação a 2 e 21 de Julho, respectivamente.
Eram selos em relevo representando, à semelhança dos primeiros selos ingleses, a imagem da rainha - D. Maria II.
As taxas aplicadas dependiam do peso das cartas, mas o factor distância desaparecia, sendo os custos iguais em todo o território do Continente e Ilhas.

Cartas do Continente e Ilhas:

Até 3 oitavas de onça - 25 reis;
Até 5 oitavas de onça - 50 reis;
Até 7 oitavas de onça - 75 reis .

O preço subia 25 reis por cada duas oitavas de onça, sendo que a onça "correspondia a cerca de 29,691 gramas".

A consultar:
http://www.postalheritage.org.uk/history/highlights/1800a.html
http://www.ctt.pt/CTTsite/ctt_selofan_02a.jsp?itemmenu=106&local_id1=116&opcao=112_
http://pascal.iseg.utl.pt/~ncrato/Expresso/InvencaoSelo_20030628.pdf
Selos Postais, Portugal, Açores, Madeira e Pré-Filatélicos, Porto/Lisboa, AFINSA, 2004

Com a colaboração preciosa de Pedro Inácio, filatelista convicto, amigo da gente e pai de 3 Inácios curiosos!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Bom apetite!

TORTA DE LIMÃO

Ponha-se a cozer em duas agoas fervendo huma duzia de limoens em talhadas delgadas com toda a grainha fora, até que não amarguem. Logo acabem-se de cozer em arratel e meio de açucar em ponto; como estiver a calda grossa, ponha-se a esfriar, depois que a torta estiver feita de folhado metão-lha dentro, ponhão-lhe huma camada de talhadas de cidrão por cima, fechem-na, e depois de cozida, mandem-na à meza com açucar.

Do Livro de Receitas do Convento dos Cardaes



Nota: O Convento dos Cardaes foi mandado construir por D. Luísa de Távora, em 1677, para nele acolher as religiosas Carmelitas Descalças, a quem pertenceu até 1834, altura em que foi nacionalizado. O Convento é um exemplo característico das artes decorativas do Barroco português - talha, mármores enxaquetados, azulejaria de revestimentos. Desde 1877, o Convento é dinamizado por uma obra Social e Cultural, orientada pelas Irmãs Dominicanas. O Convento fica na Rua do Século, 123, em Lisboa, e está aberto ao público.

domingo, novembro 13, 2005

Espadachim


Segundo as enciclopédias, o espadachim é aquele que anda sempre armado de capa e espada, em brigas constantes. Esta atitude só podia pertencer a um membro da nobreza, grupo social que tinha como única ocupação lutar. Para ser um bom espadachim, era muito importante possuir uma espada de qualidade, bem pontiaguda e de folha cortante. Foram os romanos que deram grande utilização à espada, transformando a táctica de guerra ao privilegiar o combate corpo a corpo, mas, com o passar do tempo, também as espadas se alteram: na época medieval, as espadas curtas deram lugar aos grandes e pesados montantes, que tinham que ser manejados com ambas as mãos e transportados pendurados das selas. A evolução no armamento reduz o comprimento das espadas, a favor de folhas mais flexíveis e aguçadas. A espada foi sempre um elemento de grande valor simbólico e a sua posse era privilégio dos nobres.
Como espadas famosas temos Excalibur, a espada de Artur, rei dos Bretões, e Durandal, a espada de Rolando, o cavaleiro francês que derrotou os mouros na batalha de Roncesvales. Os mais famosos espadachins de sempre foram imortalizados na literatura e no cinema: Robin dos Bosques, o nobre saxão que defende os camponeses ingleses da cobiça de João Sem Terra, o usurpador; os três mosqueteiros do rei Luís XIII, o seu jovem pupilo D'Artagnan e Zorro, o defensor da Califórnia oprimida.


Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume X, Lisboa -Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, volume VII, Lisboa, Círculo de Leitores, 1984.

Bandeira Nacional - 1910-1911- Imagem e Textos da Época
















A falar é que a gente se entende....

Alexander Graham Bell (1847-1892) é reconhecido, habitualmente, como o inventor do telefone (1876). Oriundo de uma família em que era patente a preocupação com o estudo da voz e dos sons (o avô e o pai interessaram-se por estas matérias), Bell trabalha com surdos, em Boston, abrindo a sua própria escola. Foi também professor da Universidade daquela cidade, a partir de 1873, altura em que é evidente o seu interesse pela telegrafia e os “métodos” de transmitir sons.
Em 1876, finalmente o telefone !

Antonio Meucci (1808-1896) , italiano, é por muitos outros considerado o verdadeiro inventor do telefone. Depois de se ter estabelecido em Nova Iorque, por volta de 1850, terá desenvolvido o primeiro “telefone”, um dispositivo que transformava impulsos eléctricos em sons e que instalou em 1857, ligando a sua fábrica de velas de cera ao escritório. O Nome? “Telégrafo Falante”!

O Telégrafo


Uns anos antes, Samuel Morse desenvolvera o telégrafo (pedido de patente em 1838 e primeira transmisão em 1844, entre Washington e Baltimore) e inventara um código a utilizar nas transmissões, composto por pontos e traços, o famoso código Morse que ainda hoje se utiliza.

Vivia-se uma época em que se procurava tornar as comunicações mais fáceis!

Galeria Telefónica

1895, 1900, 1915


1920, 1930, 1930

O Pincel


Os longos meses passados a bordo de caravelas e naus eram penosos. Sujeitos às tempestades ou às quentes calmarias, os marinheiros amontoavam-se no convés, pois os camarotes, em número reduzido, destinavam-se aos tripulantes mais importantes (capitão, pilotos, contramestres) e aos passageiros de mais elevada condição social. Não havendo instalações sanitárias a bordo, como também não as havia em terra, as necessidades eram feitas, tudo leva a crer, da borda do navio para o mar, após o que os marinheiros se limpavam a um trapo atado a um pau - o pincel.
O pincel estava sempre mergulhado no mar; se algum marinheiro menos afortunado caía às águas, "agarrar-se ao pincel" era a única saída possível, que devia ser encarada com alguma (compreensível) relutância. Será por isso que um pincel é, ainda hoje em dia, uma tarefa em que ninguém quer pegar?
Nas caravelas e naus portuguesas também podíamos encontrar um objecto que já era habitual em muitas casas: o bacio, ou camareiro, como também se dizia. Não é possível determinar-se desde quando seria feito esse uso, mas há conhecimento de Vasco da Gama os ter levado a bordo, na primeira viagem à Índia, pois em Melinde ofereceu três bacios ao Rei.

MENEZES, José de Vasconcellos e, Armadas portuguesas - apoio sanitário na época dos Descobrimentos, Lisboa, Academia da Marinha, 1987.

Bilhete Operário


Remexendo nestas minhas memórias de Espada Xim, lá fui encontrar, a um canto, a lembrança dos bilhetes operários que se utilizavam nos eléctrivos da Carris, nos anos em que era menino.
Os bilhetes operários utilizavam-se em eléctricos devidamente identificados como Carros Operários, tinham um preço mais reduzido e eram de ida e volta. Para beneficiar da utilização destes bilhetes mais baratos, as deslocações tinham de ser feitas em horários determinados: entre as 5 e as 8 da manhã e entre as 17 e as 20 h.
Os primeiros carros destinados a operários terão começado em 1935 e em apenas algumas carreiras, mas mantiveram-se, com as normais actualizações de preços, até aos anos 70, do séculoXX.




Nota importante: Este post nao teria sido possível sem a colaboração do Sr. Álvaro Dias, autor do site http://bilhetes.no.sapo.pt/index.htm (um site que vale a pena visitar), que nos autorizou a utilizar as imagens e nos deu preciosas informações. Por tudo isso, obrigado.

Agradecimentos são devidos também aos avós dos meus filhos, trabalhadores lisboetas e utilizadores dos referidos Carros Operários.


sábado, novembro 12, 2005

Bancos, bancas, banqueiros e bancarrota


A partir dos finais do século XI, as necessidades do grande comércio vão exigir a circulação de moedas de maior valor. Foi nas cidades comerciais de Itália que se reiniciou a cunhagem de moeda de prata, e, mais tarde, de ouro. A variedade de moeda em circulação continua a ser grande; para estabelecer a equivalência entre as moedas começaram a surgir, em muitas cidades e nas feiras mais importantes, os cambistas, em geral originários das cidades italianas.
O nome de banqueiros era inicialmente dado aos cambistas, que, utilizando uma banca ou bancada (espécie de balcão improvisado), procediam ao câmbio das moedas. Mais tarde, porém, passaram a realizar outras operações monetárias, aproximando-se progressivamente a sua actividade do sentido actual que damos às expressões banco e banqueiro. A palavra bancarrota, que utilizamos quando uma empresa vai à falência, tem a ver também com os cambistas. Sempre que um cambista, cheio de dívidas, não tinha meios para continuar a sua acção, partia a banca onde trabalhava e que era o símbolo da sua actividade: banca partida diz-se, em italiano, banca rota.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 7, Lisboa, Editorial O Livro, 2002.

sexta-feira, novembro 11, 2005

O Mistério do Tubo Flamejante! Uma História de Atirar...



Conta Fernão Mendes Pinto, em A Peregrinação, que desembarcou no Japão, na ilha de Tanegashima (Tanixumá), na companhia de Cristóvao Borralho e Diogo Zeimoto. À falta do que fazer, passavam o tempo na caça, na pesca e a ver os templos da região.
Diogo Zeimoto, tido como bom atirador, num dia em que se aproximaram de um paul, atirou sobre as aves que viu, tendo matado 26 marrecos (patos).
Os que a este prodígio assistiram informaram o Nautaquim (príncipe da ilha). " O Zeimoto, vendo-os tão pasmados e o nautoquim tão contente, fez perante eles três tiros em que matou um milhano (milhafre) e duas rolas".
Zeimoto acabou por "oferecer" a espingarda ao Nautaquim e, a pedido deste, ter-lhe-á ensinado a produzir pólvora...
O sucesso teria sido tal que, quando os Portugueses partiram, cinco meses depois, já existiriam mais de seiscentas espingardas.

quinta-feira, novembro 10, 2005

A paz esteja contigo...


...É o que que queremos dizer, quando falamos de salamaleques; de facto, esta palavra é a adaptação para português da expressão árabe as-salam-alaik, que significa precisamente "a paz esteja contigo", e que costuma ser acompanhada de uma grande reverência.
Oxalá é outra adaptação do árabe, desta vez da expressão Inch'Allah, ou seja, Deus Queira.
Estas e outras palavras devem-se não só aos muitos séculos de permanência dos muçulmanos na Península Ibérica, mas também aos contactos dos portugueses com mercadores turcos e muçulmanos na Índia, com quem rivalizaram na disputa do comércio das especiarias orientais. A expressão "salamaleque" encerra até uma certa carga depreciativa, pois os mercadores muçulmanos eram muitas vezes acusados do uso exagerado de saudações e reverências, enquanto tentavam, por todos os meios, prejudicar os negócios dos portugueses.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volumes XIX e XXVI, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

terça-feira, novembro 08, 2005

Câmara



Domus Municipalis - Bragança
"Esta construção da arquitectura civil românica é uma das poucas que permanecem intactas.
Deve-se este facto a ter sido construída sobre uma cisterna abobadada, sendo o telhado utilizado para recolher a água nela guardada. Este sistema ainda hoje se conserva. Foi também, é claro, utilizada como sala de reuniões da assembleia municipal.
Noutras povoações funcionavam ao ar livre, nos adros ou nos claustros das igrejas, numa praça, debaixo de um carvalho, etc. Só no século XIV começaram a reunir-se em recintos fechados, quando o número de participantes das reuniões se foi reduzindo. Daí o nome de 'câmara', que acabou por prevalecer para designar o edifício onde se reunia o grupo de magistrados do concelho.
De facto, esta construção data, sem dúvida, do princípio do século XIV."
Matoso, José (Dir.), História de Portugal,s.l., Círculo de Leitores, 1993, II volume, p. 227

A Guilhotina!


A guilhotina é um aparelho de decapitação mecânica, inventado no período da Revolução Francesa. É constituída por uma armação rectangular de cerca de 4 metros de altura onde é suspensa uma lâmina oblíqua, com perto de 40 kg, que uma vez libertada, decapita o sentenciado à morte.
Há dúvidas quanto ao seu inventor, sendo a invenção atribuída quer a Joseph Ignace Guillotin (médico), quer a Antoine Louis (secretário da academia de medicina), quer aos dois conjuntamente. Certo é que Guillotin defendeu na Assembleia um método de execução "mais humano", por meio de um "mecanismo simples" (1791).
A Louis parece ter sido dada a tarefa de construir o protótipo, que depois de experimentado em carneiros e cadáveres, foi utilizado, pela primeira vez, num sentenciado à morte em 25 de Abril de 1792, na "Place de Gréve", em Paris. Era a primeira decapitação mecânica! O primeiro decapitado por este processo chamava-se Nicolas-Jacques Pelletier...
A guilhotina, contudo, teve vários nomes, relacionados com os seus possíveis inventores. Aqui ficam dois, no original: "La Louisette...La Guillotine"

O Vinho dos Mortos


Na época das Invasões Francesas (1807-1810), as populações escondiam os seus bens, tentando assim evitar a sua pilhagem e roubo por parte dos invasores. Na zona de Boticas, no Norte, durante a segunda invasão, a população enterrou o vinho, esperando que não fosse encontrado... Muito mais tarde, depois da retirada dos franceses, desenterraram-no sem grande esperança de que ainda estivesse bom para ser bebido.
Mas não só estava bom, como a sua qualidade tinha melhorado...
Depois disso tornou-se tradição enterrar o vinho durante algum tempo (1 ou 2 anos), mantendo-se esta tradição até hoje, embora sejam já poucas as pessoas que o fazem.
Informação recolhida aqui e ali!

segunda-feira, novembro 07, 2005

Coisas normais


Na sua origem, o poder de ban representa o poder de comando dos chefes militares: é o caso das sociedades germânicas na época das invasões. Ao longo da época medieval, mais precisamente a partir da primeira metade do século XI, o direito de ban aparece ligado aos direitos senhoriais, isto é, àquilo que os senhores feudais da nobreza e do clero exigiam dos camponeses que viviam e trabalhavam nas suas terras. Um dos encargos exigidos era o das banalidades, que consistiam na obrigatoriedade de o camponês usar o forno, o moinho, o lagar e o celeiro do senhor, pagando determinadas importâncias em dinheiro ou em géneros.
O nome banalidade vulgarizou-se a partir deste pagamento regular, feito pelos camponeses aos seus senhores.

Bibliografia:
BONASSIE, Pierre, Dicionário de História Medieval, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1985.
DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 7, Lisboa, Editorial O Livro, 1991.

Maria, a Sanguinária


Maria Tudor nasceu a 18 de Fevereiro de 1516, filha do rei Henrique VIII de Inglaterra e da sua primeira mulher, D. Catarina de Aragão. Subiu ao trono em 1553, depois da morte de seu irmão, Eduardo VI. Em 1554 casou com Filipe, filho do imperador Carlos V, que seria mais tarde Filipe II de Espanha e I de Portugal. O reinado de Maria Tudor ficou marcado por perseguições aos adeptos do anglicanismo, religião fundada por seu pai; essas perseguições terão sido de tal forma violentas que lhe valeram o cognome de Bloody Mary - Maria, a Sanguinária. Maria morreu em 1558 e sucedeu-lhe sua irmã Isabel - Isabel I, a Rainha Virgem.
Nos nossos dias, o nome Bloody Mary está associado a uma bebida alcoólica, um cocktail feito com vodka, molho de tabasco, sumo de tomate, sumo de limão, pimenta e molho Worcestershire.

domingo, novembro 06, 2005

A viagem das palavras




Os portugueses chegaram ao Japão em 1543. Dos contactos luso nipónicos resultaram muitas trocas, e uma das mais importantes foi a linguística, pois quer no japonês quer no português encontram-se, ainda hoje, muitas palavras de origem recíproca. Aqui fica uma breve lista.

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM JAPONESA

Banzé (de banzai, grito militar); biombo (de byôbu); cana (de kana, escrita japonesa);catana(katana); chá (de tchá); chávena (de tchawan); chungaria (de chunga, livro malicioso que as noivas levavam no enxoval); nipónico (de Nippon, Japão em japonês); sacana (de sakana, peixe).

PALAVRAS JAPONESAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Amanderu (de amêndoa); barusamo (de balsâmo); bauchizumu (de baptismo); beranda (de varanda); birado (de veludo); bisoroito (de biscoito); botan (de botão); chuchin (de cetim); esukudo (de escudo); irman (de irmão); jabo (de diabo); kahii (de café); kapitan (de capitão).

CARVALHO, Sérgio Luís de, A Ilha do Ouro, Lisboa, Texto Editora, 1993

Tripeiros

Conta-se que na altura da conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, O Infante D. Henrique mandou preparar 27 navios na cidade do Porto. Era uma aventura que requeria muita coragem, mas também muitos homens e mantimentos. A população da cidade colaborou activamente oferecendo toda a carne de podia dispor... Restaram as tripas dos animais... Restou uma alcunha... e uma receita à moda do Porto!
Bibliografia:
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº2, O Infante D. Henrique

Traquitana - Sege

A sege era uma "carruagem ligeira", puxada por cavalos, com dois lugares e entrada pelo lado ou pela frente. Nas ruas estreitas de Lisboa parecia ser o meio de transporte mais bem adaptado...
Chamavam-lhe traquitana e o seu aspecto frágil levava a pensar que se ia desfazer quando circulava nas ruas pouco regulares da cidade. O nome "traquitana" perdurou no tempo e chegou até nós para apelidar qualquer coisa de fraca qualidade, com fortes probabilidades de se avariar ou desconjuntar... "Aquela traquitana..."

Lados opostos


O uso das designações de direita e esquerda para caracterizar as diferenças ideológicas dos partidos políticos, iniciou-se durante a Revolução Francesa. Na Assembleia Nacional Constituinte os lugares dos aristocratas, defensores da monarquia absoluta, ficavam à direita do presidente da Assembleia, enquanto que os patriotas, defensores da monarquia constitucional, se sentavam à sua esquerda. Por isso, em seguida, e até à actualidade, passou a dizer-se que pertencem à direita os partidários das posições mais conservadoras e à esquerda os defensores de transformações políticas e sociais.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 8, Lisboa, Editorial o Livro, 1995