D. Pedro IV

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domingo, novembro 06, 2005

A viagem das palavras




Os portugueses chegaram ao Japão em 1543. Dos contactos luso nipónicos resultaram muitas trocas, e uma das mais importantes foi a linguística, pois quer no japonês quer no português encontram-se, ainda hoje, muitas palavras de origem recíproca. Aqui fica uma breve lista.

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM JAPONESA

Banzé (de banzai, grito militar); biombo (de byôbu); cana (de kana, escrita japonesa);catana(katana); chá (de tchá); chávena (de tchawan); chungaria (de chunga, livro malicioso que as noivas levavam no enxoval); nipónico (de Nippon, Japão em japonês); sacana (de sakana, peixe).

PALAVRAS JAPONESAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Amanderu (de amêndoa); barusamo (de balsâmo); bauchizumu (de baptismo); beranda (de varanda); birado (de veludo); bisoroito (de biscoito); botan (de botão); chuchin (de cetim); esukudo (de escudo); irman (de irmão); jabo (de diabo); kahii (de café); kapitan (de capitão).

CARVALHO, Sérgio Luís de, A Ilha do Ouro, Lisboa, Texto Editora, 1993

Tripeiros

Conta-se que na altura da conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, O Infante D. Henrique mandou preparar 27 navios na cidade do Porto. Era uma aventura que requeria muita coragem, mas também muitos homens e mantimentos. A população da cidade colaborou activamente oferecendo toda a carne de podia dispor... Restaram as tripas dos animais... Restou uma alcunha... e uma receita à moda do Porto!
Bibliografia:
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº2, O Infante D. Henrique

Traquitana - Sege

A sege era uma "carruagem ligeira", puxada por cavalos, com dois lugares e entrada pelo lado ou pela frente. Nas ruas estreitas de Lisboa parecia ser o meio de transporte mais bem adaptado...
Chamavam-lhe traquitana e o seu aspecto frágil levava a pensar que se ia desfazer quando circulava nas ruas pouco regulares da cidade. O nome "traquitana" perdurou no tempo e chegou até nós para apelidar qualquer coisa de fraca qualidade, com fortes probabilidades de se avariar ou desconjuntar... "Aquela traquitana..."

Lados opostos


O uso das designações de direita e esquerda para caracterizar as diferenças ideológicas dos partidos políticos, iniciou-se durante a Revolução Francesa. Na Assembleia Nacional Constituinte os lugares dos aristocratas, defensores da monarquia absoluta, ficavam à direita do presidente da Assembleia, enquanto que os patriotas, defensores da monarquia constitucional, se sentavam à sua esquerda. Por isso, em seguida, e até à actualidade, passou a dizer-se que pertencem à direita os partidários das posições mais conservadoras e à esquerda os defensores de transformações políticas e sociais.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 8, Lisboa, Editorial o Livro, 1995

Pôr e levantar a mesa

No século XIII, nas casas senhoriais, a mesa era desmontável, composta de uma tábua assente em cavaletes, que se punha e tirava quando necessário. Daí a expressão, ainda hoje usada, de "pôr e levantar a mesa".

sábado, novembro 05, 2005

A volta ao Mundo e a marmelada



Ao longo da viagem de circum-navegação, enquanto os marinheiros sofriam e morriam à sua volta devido ao escorbuto, Fernão de Magalhães e vários outros oficiais mantinham-se misteriosamente saudáveis. Ninguém sabia porquê, mas havia uma razão relevante para terem escapado à terrível doença. Durante toda aquela provação, os oficiais serviam-se regularmente de um fornecimento de compota de marmelo que o capitão português fizera embarcar. O marmelo, um fruto do género da maçã, era na realidade um potente antiescorbuto, graças à sua quantidade de vitamina C.
BERGREEN, Laurence, Fernão de Magalhães - Para além do fim do mundo, Lisboa, Bertrand Editora, 2005

sexta-feira, novembro 04, 2005

Os Carros do "Chora"

"Estes carros grandes e desajeitados [omnibus] começaram a fazer carreiras de passageiros depois que se constituiu a Companhia de Carruagens Omnibus em 1835, poucos anos depois das grandes cidades europeias.
Os carros tinham uma porta traseira e no interior um banco corrido de cada lado, com os quinze passageiros voltados uns para os outros. Eram puxados por quatro cavalos e tranportavam, além dos passageiros, correio e encomendas.
(...)
Mas os mais célebres e que duraram mais tempo foram os carros do "chora", os "choras" que se bateram até com os eléctricos e não se deixaram absorver pela Companhia Carris.
A empresa era de um homem chamado Eduardo Jorge, conhecido pelo "Chora" porque nas reuniões com colegas estava sempre a "chorar" [lamentar-se] pela falta de lucros.
Com as dificuldades da guerra, dos impostos e a concorrência dos "eléctricos em 1917 os populares "chora" pararam.
Mas Eduardo Jorge, em 1929, fundou outra empresa de viação com autocarros de passageiros. Muitos lisboetas lembram-se ainda dos autocarros amarelos "Eduado Jorge" com o dístico: Lisboa, Carnaxide, Amadora Queluz, Cruz Quebrada..."
Raposo, José Hipólito, Breve Apontamento da Evolução dos Transportes de Lisboa, in Lisboa em Movimento 1850-1920, Lisboa, Livros Horizonte, 1994

terça-feira, novembro 01, 2005

O Castelo da Mina



"Na costa da Mina fazia-se um comércio muito vantajoso para Portugal porque os habitantes da região tinham ouro e trocavam-no de boa vontade por produtos que aos portugueses saíam baratos como por exemplo bacias de metal, panos coloridos, pulseiras de cobre, etc.
Querendo evitar assaltos aos comerciante e navegadores, D. João II decidiu mandar construir um castelo na Mina.
E como lhe pareceu que para evitar problemas tudo devia ser feito o mais depressa possível, pôs em prática uma ideia realmente moderna: enviar portas, janelas, paredes de pedra e torres já talhadas e prontas, tudo muito bem numerado para quando chegassem ao local poderem montar as peças. Chamar-lhe-íamos hoje um 'castelo pré-fabricado'. "
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº 3, D.João II

segunda-feira, outubro 31, 2005

Medalhões em... carne humana!

Em 1712, o túmulo de S.Vicente de Paula foi aberto e o corpo estava incorrupto...Três frades cirurgiões mergulharam-no em água fervente para dele se desprenderem o que restava das carnes. Juntaram pó de ossos e óleo canónico, obtendo uma pasta com a qual confeccionaram medalhões com o rosto de S.Vicente,em relevo, ainda hoje expostos ( Igreja de Saint Lazare, onde o corpo tinha sido depositado em 1660)...
O que restou do corpo foi sucessivamente amputado. Faltam ao Santo: costelas, a mão esquerda, duas rótulas..., distribuídas pelos mais altos dignitários da cristandade, tornando-se assim objectos de devoção e poder.
In Jornal Expresso, 22 de Janeiro de 2oo5

sábado, outubro 29, 2005

Ir para o Maneta

Diz-se muitas vezes que uma coisa se estragou definitivamente, utilizando a expressão: "Foi para o Maneta"
Porquê?
Ir para o maneta significa não voltar, estragar-se em definitivo, sem remédio, sem conserto...
Isto porque o "Maneta" era um general francês, chamado Loison, da época das invasões francesas, que não tinha um braço, nem misericórdia.
Era uma espécie de polícia mau dos invasores e quem ia ao maneta dificilmente de lá saía. Ia para o Maneta de vez. Daí ter ficado na memória a expressão "ir para o maneta"...
O patife do junot
Vinha para nos proteger!
Veio mas foi para nos roubar
E p'ras as pratas recolher.
Loison / O Maneta
O Junot mais o Maneta
Dizem que Portugal é seu
É o diabo para ele
E mais para quem lho deu.

Sem ser apenas Maria


D. Maria II, rainha de Portugal (1834-1853) tinha, como muitos membros da nobreza e da família real, um nome muito comprido: Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isadora Micaela Rafaela Gonzaga.

Andar a Nove


A minha mãezinha (esta não é a do Marcelino, é a minha) dizia muitas vezes que andava a nove, coisa que nunca percebi, a não ser por um “fetiche” (a palavra é, provavelmente, de origem portuguesa, com o significado de feitiço) especial pelo número - então e o quatro? O dois não serviria? Aparentemente não!
“Andar a nove” tem a ver com a velocidade dos primeiros eléctricos que circularam em Lisboa!
A velocidade dos eléctricos era controlada por um acelerador com nove (9) níveis de velocidade. Quando um eléctrico estava a andar a alta velocidade era porque o condutor estava a usar o nível nove. Surgiu, assim, a expressão popular “andar a nove”, querendo dizer “trabalhar com rapidez, fazer as coisas com grande velocidade, à pressa, não ter tempo para nada”.
Já agora, aproveitando a folha, fica aqui o seguinte aviso: “Quem conversa com o Guarda-Freio é moralmente responsável pelos acidentes causados por distracção!”