D. Pedro IV

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sábado, fevereiro 11, 2006

Solução de Enigma do post de 26-11-2005 Vasco da Gama e os Bichos do Cabo


Pois os "Sotilicairos", que Vasco da Gama e os seus homens viram lá para as bandas do Cabo da Boa Esperança, eram assim uns pinguins com nome da época.


Bibliografia:
Garcia, José Manuel, Viagens dos Descobrimentos,Lisboa, Editorial Presença, 1983

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Rainha Mãe



Até que enfim temos um pouco de serenidade e elegância nesta amálgama de nicks místicos, sangrentos e cortantes!

A Rainha Mãe que identificamos mais facilmente é Elizabeth Bowes-Lyon, mãe da actual rainha Isabel II de Inglaterra. Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon nasceu a 4 de Agosto de 1900. A sua infância foi passada no castelo de Glamis, a norte de Edinburgo, uma vez que a família Bowes-Lyon é descendente da casa real da Escócia.
Em 1923 foi anunciado o seu noivado oficial com o príncipe Alberto, Duque de York, o segundo filho dos reis. Casaram-se a 26 de Abril de 1923 na Abadia de Westminster, e tiveram duas filhas, a Princesa Elisabeth, (futura Isabel II), nascida a 21 de Abril de 1926 em Londres, e a Princesa Margarida, a 21 de Agosto de 1930, no Castelo de Glamis.
Após a morte do rei George V em 1936 e a abdicação ao trono por parte do rei Eduardo VIII, a 1 de Dezembro do mesmo ano, para casar com uma americana divorciada, Wallis Simpson, a sucessão real coube a Albert, como George VI, e a coroação teve lugar a 12 de Maio de 1937.
Com o rebentamento da 2ª Guerra Mundial em 1939, surgiu a hipótese da rainha e suas filhas serem evacuadas para a América do Norte, mas essa proposta foi recusada pela rainha, que se encontrava no Palácio de Buckingham quando este foi bombardeado, em Setembro de 1940. Depois dos raides aéreos, o casal real visitava as áreas mais afectadas do país.
Após a morte do rei, em 1952, a Rainha Mãe (assim designada pelos ingleses para a distinguirem da sua filha, também rainha e também Elizabeth) continuou a comparecer aos deveres reais, tornando-se um dos símbolos mais fortes da monarquia britânica. No dia do seu 100º aniversário, em Londres, a soberana recebeu um bolo de aniversário que levou 10 semanas a confeccionar e que incluia tudo o que a Rainha-Mãe gostava e, em particular, o gin, a sua bebida favorita.
A Rainha Mãe morreu com 101 anos, em 30 de Março de 2002.

quinta-feira, novembro 24, 2005


O espadachim e o máximo da realização individual

Ao falar de espadachins lembramo-nos logo dos três mosqueteiros de Alexandre Dumas, chapelões e floretes traçando trajectórias mirabolantes, em vénias cavalheirescas ou em demonstrações exímias na arte da guerra.

Também no Oriente, um homem com espada na mão, representou até pelo menos ao século XVII (nesta data os Samurais foram começando a perder o seu anterior prestígio, após a introdução da primeira arma no Japão pelos portugueses…) o máximo da realização individual. Vários espadachins percorriam vastas regiões, alguns simplesmente procurando um adversário famoso como forma de promoção, outros realmente buscando aperfeiçoar sua técnica.

Ainda hoje, a arte de tentar tocar sem ser tocado, é exercida habilmente por alguns, não já com a espada, florete ou sabre, mas com a caneta (agora já nem caneta é, é na máquina…) … Não corresponderá ao máximo da realização individual, mas andará lá perto…E além disso, a caneta tem mais força que a espada… (alguém pronunciou esta sentença célebre).

Assim é o nosso Espada xim

segunda-feira, novembro 14, 2005

Bom apetite!

TORTA DE LIMÃO

Ponha-se a cozer em duas agoas fervendo huma duzia de limoens em talhadas delgadas com toda a grainha fora, até que não amarguem. Logo acabem-se de cozer em arratel e meio de açucar em ponto; como estiver a calda grossa, ponha-se a esfriar, depois que a torta estiver feita de folhado metão-lha dentro, ponhão-lhe huma camada de talhadas de cidrão por cima, fechem-na, e depois de cozida, mandem-na à meza com açucar.

Do Livro de Receitas do Convento dos Cardaes



Nota: O Convento dos Cardaes foi mandado construir por D. Luísa de Távora, em 1677, para nele acolher as religiosas Carmelitas Descalças, a quem pertenceu até 1834, altura em que foi nacionalizado. O Convento é um exemplo característico das artes decorativas do Barroco português - talha, mármores enxaquetados, azulejaria de revestimentos. Desde 1877, o Convento é dinamizado por uma obra Social e Cultural, orientada pelas Irmãs Dominicanas. O Convento fica na Rua do Século, 123, em Lisboa, e está aberto ao público.

domingo, novembro 13, 2005

Espadachim


Segundo as enciclopédias, o espadachim é aquele que anda sempre armado de capa e espada, em brigas constantes. Esta atitude só podia pertencer a um membro da nobreza, grupo social que tinha como única ocupação lutar. Para ser um bom espadachim, era muito importante possuir uma espada de qualidade, bem pontiaguda e de folha cortante. Foram os romanos que deram grande utilização à espada, transformando a táctica de guerra ao privilegiar o combate corpo a corpo, mas, com o passar do tempo, também as espadas se alteram: na época medieval, as espadas curtas deram lugar aos grandes e pesados montantes, que tinham que ser manejados com ambas as mãos e transportados pendurados das selas. A evolução no armamento reduz o comprimento das espadas, a favor de folhas mais flexíveis e aguçadas. A espada foi sempre um elemento de grande valor simbólico e a sua posse era privilégio dos nobres.
Como espadas famosas temos Excalibur, a espada de Artur, rei dos Bretões, e Durandal, a espada de Rolando, o cavaleiro francês que derrotou os mouros na batalha de Roncesvales. Os mais famosos espadachins de sempre foram imortalizados na literatura e no cinema: Robin dos Bosques, o nobre saxão que defende os camponeses ingleses da cobiça de João Sem Terra, o usurpador; os três mosqueteiros do rei Luís XIII, o seu jovem pupilo D'Artagnan e Zorro, o defensor da Califórnia oprimida.


Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume X, Lisboa -Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, volume VII, Lisboa, Círculo de Leitores, 1984.

O Pincel


Os longos meses passados a bordo de caravelas e naus eram penosos. Sujeitos às tempestades ou às quentes calmarias, os marinheiros amontoavam-se no convés, pois os camarotes, em número reduzido, destinavam-se aos tripulantes mais importantes (capitão, pilotos, contramestres) e aos passageiros de mais elevada condição social. Não havendo instalações sanitárias a bordo, como também não as havia em terra, as necessidades eram feitas, tudo leva a crer, da borda do navio para o mar, após o que os marinheiros se limpavam a um trapo atado a um pau - o pincel.
O pincel estava sempre mergulhado no mar; se algum marinheiro menos afortunado caía às águas, "agarrar-se ao pincel" era a única saída possível, que devia ser encarada com alguma (compreensível) relutância. Será por isso que um pincel é, ainda hoje em dia, uma tarefa em que ninguém quer pegar?
Nas caravelas e naus portuguesas também podíamos encontrar um objecto que já era habitual em muitas casas: o bacio, ou camareiro, como também se dizia. Não é possível determinar-se desde quando seria feito esse uso, mas há conhecimento de Vasco da Gama os ter levado a bordo, na primeira viagem à Índia, pois em Melinde ofereceu três bacios ao Rei.

MENEZES, José de Vasconcellos e, Armadas portuguesas - apoio sanitário na época dos Descobrimentos, Lisboa, Academia da Marinha, 1987.

sexta-feira, novembro 11, 2005

O Mistério do Tubo Flamejante! Uma História de Atirar...



Conta Fernão Mendes Pinto, em A Peregrinação, que desembarcou no Japão, na ilha de Tanegashima (Tanixumá), na companhia de Cristóvao Borralho e Diogo Zeimoto. À falta do que fazer, passavam o tempo na caça, na pesca e a ver os templos da região.
Diogo Zeimoto, tido como bom atirador, num dia em que se aproximaram de um paul, atirou sobre as aves que viu, tendo matado 26 marrecos (patos).
Os que a este prodígio assistiram informaram o Nautaquim (príncipe da ilha). " O Zeimoto, vendo-os tão pasmados e o nautoquim tão contente, fez perante eles três tiros em que matou um milhano (milhafre) e duas rolas".
Zeimoto acabou por "oferecer" a espingarda ao Nautaquim e, a pedido deste, ter-lhe-á ensinado a produzir pólvora...
O sucesso teria sido tal que, quando os Portugueses partiram, cinco meses depois, já existiriam mais de seiscentas espingardas.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Maria, a Sanguinária


Maria Tudor nasceu a 18 de Fevereiro de 1516, filha do rei Henrique VIII de Inglaterra e da sua primeira mulher, D. Catarina de Aragão. Subiu ao trono em 1553, depois da morte de seu irmão, Eduardo VI. Em 1554 casou com Filipe, filho do imperador Carlos V, que seria mais tarde Filipe II de Espanha e I de Portugal. O reinado de Maria Tudor ficou marcado por perseguições aos adeptos do anglicanismo, religião fundada por seu pai; essas perseguições terão sido de tal forma violentas que lhe valeram o cognome de Bloody Mary - Maria, a Sanguinária. Maria morreu em 1558 e sucedeu-lhe sua irmã Isabel - Isabel I, a Rainha Virgem.
Nos nossos dias, o nome Bloody Mary está associado a uma bebida alcoólica, um cocktail feito com vodka, molho de tabasco, sumo de tomate, sumo de limão, pimenta e molho Worcestershire.

domingo, novembro 06, 2005

A viagem das palavras




Os portugueses chegaram ao Japão em 1543. Dos contactos luso nipónicos resultaram muitas trocas, e uma das mais importantes foi a linguística, pois quer no japonês quer no português encontram-se, ainda hoje, muitas palavras de origem recíproca. Aqui fica uma breve lista.

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM JAPONESA

Banzé (de banzai, grito militar); biombo (de byôbu); cana (de kana, escrita japonesa);catana(katana); chá (de tchá); chávena (de tchawan); chungaria (de chunga, livro malicioso que as noivas levavam no enxoval); nipónico (de Nippon, Japão em japonês); sacana (de sakana, peixe).

PALAVRAS JAPONESAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Amanderu (de amêndoa); barusamo (de balsâmo); bauchizumu (de baptismo); beranda (de varanda); birado (de veludo); bisoroito (de biscoito); botan (de botão); chuchin (de cetim); esukudo (de escudo); irman (de irmão); jabo (de diabo); kahii (de café); kapitan (de capitão).

CARVALHO, Sérgio Luís de, A Ilha do Ouro, Lisboa, Texto Editora, 1993

Traquitana - Sege

A sege era uma "carruagem ligeira", puxada por cavalos, com dois lugares e entrada pelo lado ou pela frente. Nas ruas estreitas de Lisboa parecia ser o meio de transporte mais bem adaptado...
Chamavam-lhe traquitana e o seu aspecto frágil levava a pensar que se ia desfazer quando circulava nas ruas pouco regulares da cidade. O nome "traquitana" perdurou no tempo e chegou até nós para apelidar qualquer coisa de fraca qualidade, com fortes probabilidades de se avariar ou desconjuntar... "Aquela traquitana..."

sábado, novembro 05, 2005

A volta ao Mundo e a marmelada



Ao longo da viagem de circum-navegação, enquanto os marinheiros sofriam e morriam à sua volta devido ao escorbuto, Fernão de Magalhães e vários outros oficiais mantinham-se misteriosamente saudáveis. Ninguém sabia porquê, mas havia uma razão relevante para terem escapado à terrível doença. Durante toda aquela provação, os oficiais serviam-se regularmente de um fornecimento de compota de marmelo que o capitão português fizera embarcar. O marmelo, um fruto do género da maçã, era na realidade um potente antiescorbuto, graças à sua quantidade de vitamina C.
BERGREEN, Laurence, Fernão de Magalhães - Para além do fim do mundo, Lisboa, Bertrand Editora, 2005