D. Pedro IV

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quinta-feira, novembro 10, 2005

A paz esteja contigo...


...É o que que queremos dizer, quando falamos de salamaleques; de facto, esta palavra é a adaptação para português da expressão árabe as-salam-alaik, que significa precisamente "a paz esteja contigo", e que costuma ser acompanhada de uma grande reverência.
Oxalá é outra adaptação do árabe, desta vez da expressão Inch'Allah, ou seja, Deus Queira.
Estas e outras palavras devem-se não só aos muitos séculos de permanência dos muçulmanos na Península Ibérica, mas também aos contactos dos portugueses com mercadores turcos e muçulmanos na Índia, com quem rivalizaram na disputa do comércio das especiarias orientais. A expressão "salamaleque" encerra até uma certa carga depreciativa, pois os mercadores muçulmanos eram muitas vezes acusados do uso exagerado de saudações e reverências, enquanto tentavam, por todos os meios, prejudicar os negócios dos portugueses.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volumes XIX e XXVI, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

terça-feira, novembro 08, 2005

Câmara



Domus Municipalis - Bragança
"Esta construção da arquitectura civil românica é uma das poucas que permanecem intactas.
Deve-se este facto a ter sido construída sobre uma cisterna abobadada, sendo o telhado utilizado para recolher a água nela guardada. Este sistema ainda hoje se conserva. Foi também, é claro, utilizada como sala de reuniões da assembleia municipal.
Noutras povoações funcionavam ao ar livre, nos adros ou nos claustros das igrejas, numa praça, debaixo de um carvalho, etc. Só no século XIV começaram a reunir-se em recintos fechados, quando o número de participantes das reuniões se foi reduzindo. Daí o nome de 'câmara', que acabou por prevalecer para designar o edifício onde se reunia o grupo de magistrados do concelho.
De facto, esta construção data, sem dúvida, do princípio do século XIV."
Matoso, José (Dir.), História de Portugal,s.l., Círculo de Leitores, 1993, II volume, p. 227

O Vinho dos Mortos


Na época das Invasões Francesas (1807-1810), as populações escondiam os seus bens, tentando assim evitar a sua pilhagem e roubo por parte dos invasores. Na zona de Boticas, no Norte, durante a segunda invasão, a população enterrou o vinho, esperando que não fosse encontrado... Muito mais tarde, depois da retirada dos franceses, desenterraram-no sem grande esperança de que ainda estivesse bom para ser bebido.
Mas não só estava bom, como a sua qualidade tinha melhorado...
Depois disso tornou-se tradição enterrar o vinho durante algum tempo (1 ou 2 anos), mantendo-se esta tradição até hoje, embora sejam já poucas as pessoas que o fazem.
Informação recolhida aqui e ali!

segunda-feira, novembro 07, 2005

Coisas normais


Na sua origem, o poder de ban representa o poder de comando dos chefes militares: é o caso das sociedades germânicas na época das invasões. Ao longo da época medieval, mais precisamente a partir da primeira metade do século XI, o direito de ban aparece ligado aos direitos senhoriais, isto é, àquilo que os senhores feudais da nobreza e do clero exigiam dos camponeses que viviam e trabalhavam nas suas terras. Um dos encargos exigidos era o das banalidades, que consistiam na obrigatoriedade de o camponês usar o forno, o moinho, o lagar e o celeiro do senhor, pagando determinadas importâncias em dinheiro ou em géneros.
O nome banalidade vulgarizou-se a partir deste pagamento regular, feito pelos camponeses aos seus senhores.

Bibliografia:
BONASSIE, Pierre, Dicionário de História Medieval, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1985.
DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 7, Lisboa, Editorial O Livro, 1991.

domingo, novembro 06, 2005

A viagem das palavras




Os portugueses chegaram ao Japão em 1543. Dos contactos luso nipónicos resultaram muitas trocas, e uma das mais importantes foi a linguística, pois quer no japonês quer no português encontram-se, ainda hoje, muitas palavras de origem recíproca. Aqui fica uma breve lista.

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM JAPONESA

Banzé (de banzai, grito militar); biombo (de byôbu); cana (de kana, escrita japonesa);catana(katana); chá (de tchá); chávena (de tchawan); chungaria (de chunga, livro malicioso que as noivas levavam no enxoval); nipónico (de Nippon, Japão em japonês); sacana (de sakana, peixe).

PALAVRAS JAPONESAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Amanderu (de amêndoa); barusamo (de balsâmo); bauchizumu (de baptismo); beranda (de varanda); birado (de veludo); bisoroito (de biscoito); botan (de botão); chuchin (de cetim); esukudo (de escudo); irman (de irmão); jabo (de diabo); kahii (de café); kapitan (de capitão).

CARVALHO, Sérgio Luís de, A Ilha do Ouro, Lisboa, Texto Editora, 1993

Tripeiros

Conta-se que na altura da conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, O Infante D. Henrique mandou preparar 27 navios na cidade do Porto. Era uma aventura que requeria muita coragem, mas também muitos homens e mantimentos. A população da cidade colaborou activamente oferecendo toda a carne de podia dispor... Restaram as tripas dos animais... Restou uma alcunha... e uma receita à moda do Porto!
Bibliografia:
Magalhães, Ana Maria, Alçada, Isabel, Na Crista da Onda, nº2, O Infante D. Henrique

Lados opostos


O uso das designações de direita e esquerda para caracterizar as diferenças ideológicas dos partidos políticos, iniciou-se durante a Revolução Francesa. Na Assembleia Nacional Constituinte os lugares dos aristocratas, defensores da monarquia absoluta, ficavam à direita do presidente da Assembleia, enquanto que os patriotas, defensores da monarquia constitucional, se sentavam à sua esquerda. Por isso, em seguida, e até à actualidade, passou a dizer-se que pertencem à direita os partidários das posições mais conservadoras e à esquerda os defensores de transformações políticas e sociais.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 8, Lisboa, Editorial o Livro, 1995

Pôr e levantar a mesa

No século XIII, nas casas senhoriais, a mesa era desmontável, composta de uma tábua assente em cavaletes, que se punha e tirava quando necessário. Daí a expressão, ainda hoje usada, de "pôr e levantar a mesa".

sábado, outubro 29, 2005

Ir para o Maneta

Diz-se muitas vezes que uma coisa se estragou definitivamente, utilizando a expressão: "Foi para o Maneta"
Porquê?
Ir para o maneta significa não voltar, estragar-se em definitivo, sem remédio, sem conserto...
Isto porque o "Maneta" era um general francês, chamado Loison, da época das invasões francesas, que não tinha um braço, nem misericórdia.
Era uma espécie de polícia mau dos invasores e quem ia ao maneta dificilmente de lá saía. Ia para o Maneta de vez. Daí ter ficado na memória a expressão "ir para o maneta"...
O patife do junot
Vinha para nos proteger!
Veio mas foi para nos roubar
E p'ras as pratas recolher.
Loison / O Maneta
O Junot mais o Maneta
Dizem que Portugal é seu
É o diabo para ele
E mais para quem lho deu.

Andar a Nove


A minha mãezinha (esta não é a do Marcelino, é a minha) dizia muitas vezes que andava a nove, coisa que nunca percebi, a não ser por um “fetiche” (a palavra é, provavelmente, de origem portuguesa, com o significado de feitiço) especial pelo número - então e o quatro? O dois não serviria? Aparentemente não!
“Andar a nove” tem a ver com a velocidade dos primeiros eléctricos que circularam em Lisboa!
A velocidade dos eléctricos era controlada por um acelerador com nove (9) níveis de velocidade. Quando um eléctrico estava a andar a alta velocidade era porque o condutor estava a usar o nível nove. Surgiu, assim, a expressão popular “andar a nove”, querendo dizer “trabalhar com rapidez, fazer as coisas com grande velocidade, à pressa, não ter tempo para nada”.
Já agora, aproveitando a folha, fica aqui o seguinte aviso: “Quem conversa com o Guarda-Freio é moralmente responsável pelos acidentes causados por distracção!”