D. Pedro IV

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segunda-feira, novembro 21, 2005

" O triunfo da vontade"



Só para "Os vagabundos do tempo"

A marquesa de Marteuil ao viscondede Valmont - Parte I

"(...) Os meus principios, repito-o, e digo-o deliberadamente, pois eles não são, como o das outras mulheres, colhidos ao acaso, aceites sem análise e seguidos por hábito; são o fruto das minhas próprias reflexões. Criei-os e posso dizer, que são a minha obra.
Entrando na sociedade num tempo em que, criança ainda, as circunstâncias me condenavam ao silêncio e à inanição, delas soube tirar proveito para observar e reflectir. Enquanto me julgavam distraída ou estouvada, não dando ouvidos à verdade dos ensinamentos que me dispensavam, eu recolhia cuidadosamente tudo o que procuravam esconder-me.
Esta curiosidade útil, ao mesmo tempo que servia para me instruir, ensinava-me a dissimular. Obrigada muitas vezes a esconder dos olhos dos que me rodeavam os motivos que me chamavam a atenção, experimentei pousar os meus no que me agradasse.; o resultado foi desde logo ter adoptado aquele olhar sem constrangimento que o Visconde tantas vezes me gabou. Animada por este êxito, tratei de regula, pelo mesmo processo, os diversos movimentos do meu rosto. Se sentia qualquer apreensão, estudava-me até sentir um ar de serenidade, ou mesmo de alegria; levei o meu zelo ao ponto de a mim própria causar dores involuntárias para durante esse tempo procurar a expressão do prazer. Com o mesmo cuidado e maior custo, exercitei-me a reprimir os sintomas de uma alegria inesperada. Foi assim que consegui tomar sobre a minha fisionomia aquele domínio que algumas vezes admirou em mim.
(..) Não me satisfazia o não me deixar penetrar: divertia-me mostrar sob formas diferentes. Dominando os meus gestos, observava as minhas falas. Uns e outros eram regulados segundo as circunstâncias, ou segundo as minhas fantasias. Desde então, a minha maneira de pensar pertence-me, e não mostrei nunca senão o que me era útil deixar ver.
Este trabalho trabalho sobre mim própria fixou a minha atenção sobre a expressão dos rostos e o carácter das fisionomias; e adquiri esta mirada penetrante, na qual a experiência todavia me ensinou a não confiar inteiramente, mas que em todos os casos raramente me enganou."
20 Setembro 17**
In " Ligações Perigosas" de Choderlos de Laclos

Ps.Espero não me ter enganado e profanado o Blog
Excomunguem-me,se for o caso
Raspoutine





3 comentários:

guilhotina disse...

Nem enganado, nem profanado, e muito menos excomungado: finalmente, um monge místico cibernauta!

Espada Xim disse...

Para o autor do post, deixo-lhe aqui o seguinte comentário: É um prazer tê-lo por cá, "monge místico cibernauta". Esta parte sou eu a citar (ehehehe).

Anónimo disse...

Qual místico? Qual monge? Eu cá parece-me é que há um elevado grau de mundanismo/pragmatismo no post...
mas eu sou monge...